No ano em que completam 85 de vida, as Caves São Domingos, em Ferreiros, no concelho de Anadia, apresentaram um projeto de remodelação para os próximos anos, num investimento total de cerca de dois milhões de euros, inserido no fundo do Plano de Recuperação e Resiliência. A novidade foi tornada pública no passado dia 26 de janeiro, sendo este o dia reservado para que todos os meses, até final de 2022, a empresa leve a cabo diversas iniciativas. Na passada quarta-feira, para além da apresentação do vinho branco «Anima Mea», da enóloga Lina Susana Pinho, foi ainda realizada a primeira poda da vinha pedagógica «São Domingos», que contém mais de cinco dezenas de castas diferentes, nacionais e internacionais.

Até 2028, e com a alavanca do PRR, as Caves São Domingos preveem um investimento de dois milhões de euros que, entre outras coisas, «trará melhores condições de conforto aos colaboradores e permitirá dar um salto importante e decisivo para a empresa», referiu, ao nosso jornal, Alexandrino Amorim, administrador da empresa, acrescentando que, no imediato, o investimento recairá «na renovação da Destilaria, dotando-a de equipamentos modernos, eficientes, novos alambiques para a destilação dos nossos próprios vinhos, reforçando a capacidade para a destilação de bagaço e criando condições para que seja visitável».

Já na Adega, o crescimento é palavra de ordem «com o aumento da capacidade de vinificação com aquisição de equipamento e maquinaria diversa (prensas, depósitos, vinificadores, bombas, equipamentos de rotulagem e embalamento), que nos permitirá aumentar a produção de vinhos tranquilos, bem como a melhoria das condições de segurança, conforto e qualidade das instalações».

Do lado de fora do edifício-mãe, e junto à vinha pedagógica da empresa, a nova oferta enoturística da «São Domingos», será também criada uma sala de provas. «Na verdade, já fazemos enoturismo há mais de 20 anos, mas com este investimento vamos poder dar melhores condições a quem nos visita», enfatizou Alexandrino Amorim, desvendando que, perto da vinha pedagógica, existe uma estrada, que faz parte da Grande Rota da Ria de Aveiro e que será alcatroada em breve.

«2021 foi o nosso melhor ano de sempre, com um crescimento de volume total de vendas de 13% face a 2019», enalteceu o administrador das Caves, empresa que, no ano passado, produziu 800 mil garrafas de espumante.

Aproveitando o momento, as Caves São Domingos apresentaram também a Vinha Pedagógica, com 1800 metros, contígua à empresa e criada em maio de 2020, onde os visitantes e parceiros poderão observar a aprender sobre 58 castas diferentes, tintas e brancas, oriundas não só da Bairrada, como também de diferentes regiões vitícolas nacionais e internacionais. Depois da enxertia em 2021, na semana passada realizou-se a primeira poda com ajudantes de luxo, onde não faltaram os colaboradores das diversas áreas da empresa, parceiros, jornalistas e nem Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, faltou à chamada.

«Queremos que este espaço traga os alunos das escolas de hotelaria da região, as crianças e todos os visitantes regulares», declarou Eugénia Freitas, gerente das Caves, afirmando que, para além do proveito das uvas, haverá espaço para experiências e comportamentos das mesmas, cuja produção está prevista para o terceiro ano. «Com este número de castas reunidas, isto é uma verdadeira escola», enfatizou, desvendando que pensam também para o espaço «o apadrinhamento de videiras, de forma a que cada pessoa se sinta entusiasmada e ligada às Caves, “produzindo” vinho da planta que cuidou».

 

Mónica Sofia Lopes