A Câmara Municipal da Mealhada prepara-se para proceder à substituição de seis mil contadores de água, muitos deles «fora do prazo útil», cujo normal seria de doze anos e alguns ultrapassam já as duas décadas. «Fizemos o teste e a perda estimada de um contador com 21 anos é superior a 12%, sendo que as perdas aceitáveis não devem ter um desvio superior a 5%», explicou, na reunião do executivo que se realizou na manhã de ontem, o vereador Hugo Silva, a quem coube a análise, com os serviços municipais, desta temática.

O assunto da substituição dos seis mil contadores, anunciada recentemente pelo executivo camarário, foi questionada, na última reunião de Câmara, por Luís Tovim, vereador eleito pelo Partido Socialista. Em resposta, António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, explicou que «a vida de útil de muitos dos contadores foi ultrapassada e, portanto, estima-se que cerca de seis mil não estejam a funcionar bem e tenham bastantes deficiências na leitura. Foram feitos alguns testes e há erros».

Também Hugo Silva avançou com mais informação, declarando que «o parque de contadores tem 10 mil unidades», estando em causa, neste momento, «a validade ou capacidade de leitura correta dos mesmos». «Há uma estimativa de que de 200 a 300 contadores estejam mesmo a zero, obsoletos. Depois há outros que estão distantes dos 12 anos de vida útil, com alguns a atingirem mais de 20», continuou o vereador, garantindo que foi feito «um teste a um contador com 21 anos e que a perda estimada é superior a 12%», sendo que o desvio aceitável, enfatiza, «não deve ultrapassar os 5%». «Ao não contabilizarmos a entrada direta no consumidor, estamos a ter grandes perdas», lamenta ainda, acrescentando que se estima que em 2020 tenha havido uma perda para o Município de cerca de 28%.

Rui Marqueiro, vereador da oposição eleito pelo Partido Socialista e anterior presidente do Município da Mealhada, lamentou que o assunto seja espoletado «havendo uma sondagem de um único contador».

Na reunião, que se realizou na manhã da passada segunda-feira, foi apresentado o relatório final do concurso público para adjudicação do direito de exploração do Bar do Jardim da Ponte de Casal Comba, onde foram apresentadas três propostas. Luis Tovim alertou para que haja «fiscalização e conhecimento da forma como o espaço é tratado». «Gostava de conhecer melhor este processo, porque ao nível de condições de higiene o espaço, ao qual sou frequentador, deixa um pouco a desejar», referiu, abstendo-se na votação.

Na sessão foi ainda aprovada a ratificação para reprogramação do procedimento de concurso público com publicidade internacional da empreitada de construção do novo edifício municipal. «No ano de 2021 estava previsto um gasto de 32 mil euros, mas como não houve execução até porque só foi para o Tribunal Administrativo em 2022, procedemos a uma reprogramação financeira e este valor passa para este ano», informou António Jorge Franco.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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