«Lutar por consensos», promete António Jorge Franco

 

«Somos um movimento plural que tem como objetivo o desenvolvimento do concelho da Mealhada». As palavras são de António Jorge Franco, eleito pelo «Mais e Melhor – Movimento Independente», que, a 18 de outubro de 2021, tomou posse como presidente da Autarquia da Mealhada para o quadriénio 2021-2025. Um mandato que inicia com um acordo com a coligação do «Juntos pelo Concelho da Mealhada», que agrega o PSD, CDS, Iniciativa Liberal, Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico.

«Sou uma pessoa de consensos. Procurarei parcerias em todas as áreas dos saberes; dirigir esforços para atrair novos sectores empresariais; fazer a recuperação dos espaços públicos; e criar com as Juntas um plano de ação, bem como instituir o pelouro das freguesias. Queremos que as empresas se conheçam e partilhem informações e ter uma boa execução dos fundos comunitários», enumerou o novo presidente da Câmara da Mealhada.

Ausente na cerimónia de ontem esteve Rui Marqueiro, o presidente cessante, agora vereador da oposição que, através do também vereador eleito nas listas do PS, José Calhoa, dirigiu uma mensagem, onde referiu que o último mandato «não foi fácil» e que contou com «incêndios, tempestades, cheias e uma pandemia». «Na passada sexta-feira, o saldo do balancete da tesouraria apresentava o valor de sete milhões de euros. Sem débitos a bancos ou a ministérios. Um valor que não inclui o Fundo de Equilíbrio Financeiro mensal de cerca de 500 mil euros, que deveria ter dado entrada na passada sexta-feira, e um empréstimo de dois milhões de euros, que está aprovado, mas à data nada ainda foi usado, podendo vir a ser mais um instrumento financeiro, tendo em vista a futura transição do quadro comunitário».

Depois da instalação dos eleitos na Assembleia Municipal e da eleição da mesa onde tomaram assento Carlos Cabral como presidente, João Louzado como 1.º secretário e Maria João Santos como 2.ª secretária, as bancadas políticas eleitas manifestaram-se na primeira sessão do órgão. «O PCP de tudo fará para acompanhar e fiscalizar, tomando posições e trazendo vários temas à discussão», começou por dizer João Louceiro, eleito pela CDU, que acrescentou ainda: «Iremos insistir em propostas; contestar a chamada descentralização, principalmente nas áreas da saúde e da educação; continuar a batalha da reposição das freguesias da Mealhada, Ventosa do Bairro e Antes; e lutar pela reposição da linha Pampilhosa e Figueira da Foz».

João Louzado, eleito pela coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», colocou o enfoque no «entendimento entre duas forças políticas», explicando que o facto de «a coligação ser constituída por vários partidos é a prova inequívoca da capacidade de entendimento».

Da banca socialista, Joana Sá Pereira começou por dizer que «as diferenças e divergências são saudáveis em democracia», enfatizando que «não denunciamos a nenhum dos nossos valores. Não abdicaremos de nada em troca de nenhum ganho político». «Temos um compromisso com enorme sentido de responsabilidade, sempre a pensar no melhor para as pessoas», acrescentou.

Do «Mais e Melhor», Carlos Pimenta referiu «irem estar muito atentos ao que aconteceu nas últimas três semanas, relativamente ao que pode ou não ser feito entre o dia das eleições e a tomada de posse». André Melo lamentou que «os últimos oito anos tenham permitido que os concelhos vizinhos ultrapassassem o da Mealhada». «Apoiaremos tudo o que for pelo melhor do município e precisaremos do contributo de todos», afirmou.

 

«Quem não saber perder, também não sabe ganhar», afirmou Carlos Cabral

«Espero que sejamos todos felizes no nosso trabalho e que trabalhemos até ao limite das nossas forças, até ao limite dos nossos conhecimentos», referiu, na cerimónia, Carlos Cabral, empossado presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, acrescentando que o órgão «tem que ouvir», mas também tem que «motivar à participação das populações».

«Somos 27 pessoas eleitas na Assembleia Municipal, que estão aqui em representação das 20 mil que estão lá fora», continuou, apelando «a que casos urgentes não entrem a discussão em cima da hora»: «Confio inteiramente neste executivo e quero que a assembleia acompanhe com tranquilidade todos os assuntos».

Carlos Cabral lamentou ainda a ausência de Rui Marqueiro, que esteve ausente na tomada de posse. «Noto a ausência do anterior presidente da Câmara», referiu o também antigo presidente da Autarquia, cargo que exerceu até 2013, afiançando que «em eleições democráticas o povo nunca se engana. Quem não sabe perder, também não sabe ganhar».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura