A papelaria «Lita», no centro da cidade de Anadia, foi alvo de burla, na tarde da passada terça-feira. O indivíduo, «na casa dos 40 anos», utilizou o serviço «payshop», deixando o estabelecimento sem pagar, depois da operação estar concluída. Valeu o acesso rápido às câmaras de videovigilância do estabelecimento e a célere atuação da GNR que, pouco tempo depois, intercetou o homem, residente em Carnaxide, já na zona da Mealhada.

O indivíduo entrou na papelaria «Lita», cerca das 17h00, na passada terça-feira, 19 de outubro. «Muito simpático, bem-falante e sempre a interagir com as funcionárias começou por pedir uma máquina de tabaco aquecido, enquanto escolhia outros artigos para levar. No decorrer da conversa, perguntou também se tínhamos o serviço de “payshop”, dizendo que tinha um pagamento para efetuar», explicou, ao nosso jornal, Tânia Ferraz, proprietária da papelaria, garantindo que este é um serviço disponível no estabelecimento, há cerca de dois anos, em que através de entidade, referência e montante, a loja faz qualquer pagamento no «payshop», devolvendo o cliente, sempre em dinheiro, o montante pago.

Na terça-feira, e depois de o homem verificar que o papel da operação já tinha saído, dirigiu-se para a rua e não voltou mais. «Eu estava no escritório, onde através do LCD, consigo ver o que se passa na loja e vejo a Ana e a Daniela (funcionárias) a tentarem perceber o que estava a acontecer, até porque os artigos que o homem tinha escolhido ficaram todos dentro da loja», continuou Tânia Ferraz, acrescentando que «o pagamento efetuado no “payshop” teve um valor de 59 euros», mas confessando, contudo, que «o serviço teria sido feito com qualquer outro valor se assim tivesse sido solicitado». «Estamos sempre a ser avisados pela “payshop” para estes casos de burla e a ouvir situações idênticas, mas a verdade é que acabam por nos acontecer também», afirma a proprietária do espaço, que chamou logo a GNR de Anadia.

O estabelecimento está munido de câmaras de videovigilância «já mais avançadas que o normal e como um colega de outra loja viu o carro do indivíduo, conseguimos (através das imagens) visualizar que estacionou em cima do passeio um bocadinho mais à frente da loja». «Tirámos a matrícula do veículo (que é de uma empresa de Linda-a-Velha) e, face à atuação célere da GNR, o senhor foi intercetado na zona da Mealhada», referiu Tânia Ferraz, desvendando que «se tratou de uma compra online e que já se sabe a morada onde o artigo vai ser entregue, sendo o autor da burla de Carnaxide».

Agora a gerente da papelaria «Lita» só quer esquecer o sucedido, servindo-se dele para «alterar procedimentos na loja»: «Foi um ensinamento. É como se tivéssemos pago uma formação sem recebermos o recibo. A partir de agora, antes de facilitar qualquer operação, os clientes terão que fazer o pré-pagamento em dinheiro».

Sobre o recente episódio, Tânia Ferraz está «na disposição de retirar a queixa se for ressarcida do valor que foi burlada». «Caso isso não aconteça, sigo para Tribunal. Os burlões têm que entender que, às vezes, pode correr-lhes mal», lamenta, recordando que «ainda há 15 dias, através do telefone, houve uma tentativa de burla, detetada no imediato, uma vez que a pessoa que contactou nunca pediu os códigos de agente de “payshop”, apesar de se fazer passar por profissional da área».

 

Mónica Sofia Lopes