O regulamento do novo Mercado e Feira Municipais da Mealhada, situado junto à zona desportiva, foi aprovado, por unanimidade, na última Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou a 20 de setembro. Apesar disso, as bancadas de oposição criticaram a localização da infraestrutura, o avultado investimento e até a falta de um transporte municipal que leve as pessoas até ao local.

«Esta solução nunca foi apoiada pela coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, contudo, o edifício está lá. Não concordamos com a localização, com o modelo de mercado e de feira e nem com o avultado investimento municipal, que ronda os três milhões de euros», declarou a deputada Iola Baptista, defendendo que o sítio onde a feira semanal ainda se realiza, na Póvoa da Mealhada, «traz tráfego ao centro da cidade». «Ao retirá-lo do centro da cidade poderemos estar a matar o mercado e o próprio comércio local», enfatizou.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, recordou que, aquando da sua chegada à Autarquia, «receberam uma carta da Misericórdia da Mealhada (a quem cabe a gestão do atual mercado na Póvoa), a dizer que precisavam daquele espaço e nós não tivemos outra solução se não procurar outro». «Chamar ao atual local “zona fora do centro” e “descentralizado” parece-me despropositado num sítio onde existe uma urbanização com cerca de 700 pessoas e onde está prevista uma outra perto da Quinta do Murtal», referiu o edil, informando ainda que «a procura de lugares no Mercado está a superar todas as expectativas».

Acerca do espaço, João Louceiro, da bancada do PCP, quis saber que «entidades foram ouvidas para a elaboração do presente projeto». «Com a conclusão das obras do Mercado tornou-se necessária a aprovação do seu regulamento, o que significa que esta versão ou é aceite ou não é. Todos os contributos que aqui sejam feitos, já não vão servir para nada», lamentou o deputado.

Em resposta, Arminda Martins, vereadora responsável pelo pelouro das Obras, explicou que «quando o processo foi iniciado foram feitas ações onde participaram feirantes e operadores, que à data vendiam no local. Foram sugeridos vários locais e dessa reunião saiu logo uma orientação».  «No novo espaço há efetivamente mais lugares do que os existentes atualmente e as solicitações da intenção de o ocuparem são muito satisfatórias», disse ainda, defendendo que «também as acessibilidades serão muito melhores do que as atuais. Não existe só o túnel de passagem pedonal junto à Câmara, existe também o da Estação».

Para Ana Luzia Cruz, «o Bloco de Esquerda é a favor do mercado fosse onde fosse a sua localização, até porque toda a gente pode vir ao mercado desde que tenha carro». «O ideal é ter o objetivo de que um dia as pessoas possam deixar o automóvel em casa e andem num transporte municipal», referiu a deputada, lamentando «o problema da mobilidade no concelho»: «Esteja onde estiver o mercado, esta é uma realidade do nosso concelho».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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