Nos 95 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa as dificuldades das corporações não foi tema esquecido relativamente à covid-19, havendo críticas ao «esquecimento por parte da tutela» e agradecimento, no caso concreto, à Câmara da Mealhada «por todo o apoio prestado à causa», estando já em andamento a criação de mais duas Equipas de Intervenção Permanente no concelho da Mealhada, que se juntarão às duas já existentes, uma na Mealhada e outra na Pampilhosa. O momento alto das comemorações contou com a promoção de seis Estagiários a Bombeiros de 3.ª Classe e a imposição de medalhas de assiduidade pelos anos de serviço na corporação pampilhosense a dezenas de elementos do corpo de bombeiros.

«A pandemia trouxe consequências. Só em 2020 tivemos uma quebra de 30% ao nível de transporte de doentes; e uma quebra de 80% no que se refere ao aluguer do salão e à sala de formações», começou por dizer Rogério Silva, presidente da direção dos Bombeiros da Pampilhosa, garantindo que esta quebra de receita «não acompanhou as despesas que continuaram e até aumentaram por causa do combate à covid-19».

«Apesar disso, esta associação conseguiu resultados positivos pelo segundo consecutivo e adquiriu duas ambulâncias de socorro», continuou o dirigente, enaltecendo o papel do Município da Mealhada: «O apoio da Câmara foi fundamental para que tivéssemos o suficiente para as despesas correntes».

Também Marco Braga, vice-presidente do conselho executivo da Liga dos Bombeiros, começou por afirmar: «A tutela tem fugido às suas responsabilidades. Mais uma vez, com a questão do covid, esta corporação esteve, como outras, na linha da frente. É grave, mas a tutela fugiu às suas responsabilidades». «Os bombeiros mereciam outro tratamento», enfatizou, questionando: «O que seria dos bombeiros deste país sem as câmaras municipais? Que todas fossem como a da Mealhada e investissem na segurança das populações».

As palavras de apreço, por parte de Marco Braga, estenderam-se à direção da Associação. «Muitos esquecem-se do esforço dos presidentes e diretores que têm grandes dores de cabeça e lutam dia-a-dia para que os bombeiros portugueses consigam fazer o que fazem», enalteceu, elogiando a «juventude» existente no corpo ativo dos Bombeiros da Pampilhosa: «É sinal de trabalho feito nesta corporação».

Ana Paula Ramos, 1.ª Comandante Operacional Distrital das Operações de Socorro, foi também homenageada, na manhã de ontem, «pelo percurso brilhante», um percurso que começou nos Bombeiros da Pampilhosa, onde foi comandante, antes de passar a 2.ª CODIS e, em 2020, nomeada 1.ª CODIS. «Os bombeiros são a espinha dorsal da Proteção Civil e têm que começar a ser olhados de maneira diferente», referiu Ana Paula Ramos, lamentando que sobre o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais em 2021 exista a tentação de se dizer que «o tempo está a ajudar». «Nas 500 ocorrências que já tivemos no distrito de Aveiro, não foi só o tempo que ajudou. Há uma maior sensibilização da população, mas os bombeiros estão sempre em modo prontidão. Não deixem que vos minimizem. Não é só o tempo que está a ajudar. Nós somos bons e estamos cá para socorrer pessoas e bens».

Fernando Abrantes, comandante dos Bombeiros da Pampilhosa, agradeceu o apoio da direção da Associação, da Câmara da Mealhada, da Liga dos Bombeiros Portugueses, dos sócios e das empresas. Apelidou a Escola de Infantes e Cadetes de «canteirinho» e elogiou o seu corpo de bombeiros: «Sinto-me honrado e orgulhoso pelo vosso trabalho. Um agradecimento especial a todas as famílias dos bombeiros».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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