A fusão da Sociedade da Água de Luso na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas foi formalizada esta semana. Segundo Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e de relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas, «todo este processo foi transmitido em pleno aos colaboradores e estruturas representativas, em outubro passado, e a nossa perceção é que foi recebido com agrado», uma vez que passam a nivelar-se por um regime mais favorável, «quer ao nível dos vencimentos, quer ao nível das regalias sociais». Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, alega o facto «de a história da SAL ser mais antiga do que a da Central de Cervejas», lamentando o seu fim e garantindo que o assunto está a ser analisado pelos juristas da Autarquia. «Não sei o que conseguiremos fazer perante uma sociedade comercial, tendo por base o interesse público», sublinha.

Foi no passado dia 4 de janeiro de 2021 que, junto da Conservatória do Registo Comercial, foi determinada «a extinção da SAL e a consequente transmissão de quaisquer direitos e obrigações desta para a SCC». Ao nosso jornal, Nuno Pinto Magalhães começa por explicar que «a SCC e a SAL, bem como indiretamente as Termas Do Luso, pertencem, desde 2008, a 100% ao Grupo Heineken», tendo o atual processo da fusão sido transmitido aos «colaboradores e estruturas representativas, durante o mês em outubro passado» e a perceção «é a de que foi recebido com agrado», uma vez que «por razões organizacionais, e com benefício imediato para todos os seus colaboradores que passam nivelar-se, desde já, com efeitos a partir do passado dia 1 de Janeiro, pelo regime mais favorável, quer ao nível dos vencimentos, quer ao nível das regalias sociais».

Para além da Sociedade da Água de Luso, fusionam-se na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, as Termas do Luso, a «Hoppy House Brewing» e a Mineraqua (Água Castello). «Sem prejuízo da manutenção das suas designações comerciais e de marcas, que é aquilo que consumidores e o mercado relevam, e da assunção pela nova entidade de todas os direitos e obrigações assumidos pelas anteriores perante terceiros», garante o diretor de comunicação e de relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas, acrescentando ainda que «esta situação em nada afetará a normalidade da operação na Vacariça (concelho da Mealhada)».

O tema da fusão já tinha sido transmitido em junho passado à Câmara da Mealhada. Na altura, Rui Marqueiro e Daniela Esteves, presidentes da Autarquia e Assembleia Municipal, respetivamente, assim como os presidentes das Juntas do Luso e da Vacariça, e respetivas Assembleias de Freguesia, insurgiram-se publicamente contra esta decisão. Já Nuno Pinto Magalhães afiançou ser «um projeto embrionário» que ainda estava «em discussão interna e com “stakeholders”».

Esta semana, questionado pelos jornalistas, Rui Marqueiro mostra-se descontente com a concretização da fusão, lamentando que «a SAL termine a sua história» de 160 anos. «Não sei o que conseguiremos fazer perante uma sociedade comercial, tendo por base o interesse público», afirma, garantindo que o assunto está a ser analisado pelos juristas da Autarquia.

Entretanto, e para a próxima terça-feira, dia 12 de janeiro, pelas 18h00, está agendada uma sessão de esclarecimento à população, na Junta de Freguesia do Luso, com a presença do presidente da Câmara da Mealhada.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de Arquivo de José Moura