A sede da escola de samba Sócios da Mangueira, da Póvoa da Mealhada, foi totalmente consumida pelas chamas, na madrugada deste domingo, 9 de agosto. Durante o dia de ontem, muitos foram os que acorreram ao local em solidariedade com a escola de samba mais antiga do Carnaval da Mealhada. Uma gala e uma conta solidária são os primeiros passos que estão a ser pensados a favor dos Sócios da Mangueira, estando já garantido um donativo de cinco mil euros por parte da Associação do Carnaval da Bairrada.

O edifício – os antigos lavadouros públicos da Póvoa – «carregava» os 42 anos de história da coletividade e era o epicentro de toda a escola há já duas décadas. Ontem de manhã, no local, André Castanheira, presidente da direção da Mangueira, confessava a dor sentida ao olhar para os escombros do incêndio. «Ali estava tudo, o nosso trabalho, as nossas memórias. Guardávamos tudo ali e tudo estava muito bem documentado e organizado», disse, ao «Bairrada Informação», o dirigente sobre um espaço que estava também repleto de instrumentos e fatos carnavalescos. André Castanheira aponta para que o prejuízo material ronde os 150 mil euros, mas enfatiza que há um outro valor que não é quantificável: «O sentimental e histórico».

E foi precisamente por esse valor que ontem a escola foi alvo de uma gigante onda de solidariedade difundida nas redes sociais. Depois de visitar o local, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garantiu aos dirigentes da escola «de que o Município tudo fará para ajudar a reabilitar as instalações infelizmente destruídas pelas chamas», adiantando ainda que «vai disponibilizar o Cineteatro Messias para a realização de uma gala solidária a favor da “família mangueirense”».

Durante a manhã de hoje será também formalizada uma conta solidária a reverter a favor dos Sócios da Mangueira, que contará, no imediato, com um donativo de cinco mil euros disponibilizado pela Associação de Carnaval da Bairrada. «Acreditamos que com o apoio de toda a comunidade, da Autarquia e com a força e criatividade dos “mangueirenses”, juntos vamos rapidamente reerguer esta magistral história», referiu também Janine de Oliveira, presidente da direção da ACB.

«Vamos ultrapassar! Parados não vamos ficar!», garantiu André Castanheira, o dirigente da escola que conta com 350 sócios e que em 2020 foi tetracampeã do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada. «Hoje chora-se, amanhã temos que seguir para a frente!», referiu.

De fora do fogo ficou o «pavilhão» da escola – a bandeira conduzida pelo casal Mestre-sala e Porta-bandeira -, o maior símbolo da escola de samba e também, apesar de com vestígios do incêndio, a placa alusiva a um dos sócios fundadores da escola – João de Oliveira -, falecido há poucos anos.

Ao que tudo indica o incêndio terá tido origem num curto circuito num dos fios do teto, que é todo revestido a madeira. «O alerta foi dado para o quartel, por populares, cerca das 4h10, e quando chegámos já o edifício estava todo tomado pelas chamas», declarou, ao nosso jornal, Nuno João, comandante dos Bombeiros da Mealhada, garantindo que «todo o material era bastante inflamável» e que a propagação «foi muito rápida».

No local, no combate ao fogo, estiveram 20 operacionais da corporação mealhadense com um Veículo Urbano de Combate a Incêndios, um Veículo Florestal de Combate a Incêndios, um Veículo Tático Urbano, um Veículo Tanque de grande capacidade, um veículo de comando e ainda uma ambulância «por precaução». Estiveram ainda militares da GNR e inspetores da Polícia Judiciária.

Edifício «nasceu» como lavadouro público

O edifício, que ontem ardeu, propriedade municipal, era sede dos Sócios da Mangueira há duas décadas, mas foi construído na década de 40/50 do século XX para servir a comunidade, na Póvoa da Mealhada, com lavadouros públicos.

Segundo conseguimos apurar, nos anos 90 foi também sede do Rancho «Flores de São Romão», tendo posteriormente o edifício, num dos mandatos de José Felgueiras, presidente da Junta de Freguesia da Mealhada, sido totalmente cedido aos Sócios da Mangueira.

 

 

Mónica Sofia Lopes