A «comunidade» “Produtores Florestais” foi, na manhã da passada quinta-feira, apresentada no Luso, pela empresa portuguesa Navigator. O projeto, que pretende ser um veículo de coesão entre a comunidade, os investidores e os trabalhadores florestais, consiste numa revista bimestral, gratuita; num site – https://produtoresflorestais.pt/ -; na presença nas redes sociais – Facebook e Instagram -; e na organização de eventos.

Segundo António Redondo, diretor executivo da Navigator, a floresta nacional ocupa 36% do território, ultrapassando a média internacional que se situa nos 30%, lamentando, contudo, que haja «uma ausência de estratégia nacional em torno das florestas, mesmo estando os diagnósticos feitos há muito tempo». Para António Redondo «urge encontrar modelos sustentáveis», nomeadamente, «alterações pontuais ao pacto legislativo; criação de mecanismos rápidos de fomento florestal; cocriação e cofinanciamento de programas de formação aos produtores florestais; apoio no reequipamento de silvicultura e às micros e pequenas empresas que muitas vezes contratam pessoas sem formação; e apoio à recolha e tratamento de sobrantes florestais». «As florestas nacionais poderão e deverão ser um apoio de desenvolvimento do país», rematou.

João Lé, administrador executivo da Navigator, defende que «a aposta na partilha do conhecimento é um imperativo». «Uma floresta bem gerida significa uma mitigação dos riscos», declarou, acrescentando ainda: «O país precisa de melhor floresta, mas também de uma floresta mais resiliente». O administrador deixou ainda um desafio para a plateia de produtores, parceiros e empresários florestais: «Produzam mais e bons projetos desde a preparação do terreno. Usem as melhores plantas e só assim conseguimos reduzir o risco de incêndios».

Presente na sessão esteve, entre outros, o presidente da Associação Florestal do Baixo Vouga, que referiu que «os produtores estão desanimados, principalmente com os incêndios florestais, em que a justiça é passiva relativamente aos incendiários». Uma declaração corroborada pela equipa da Navigator que garante que «os incêndios recorrentes resultam em abandono dos terrenos e, posteriormente, incapacidade de investir».

E é, por isso, que o sector florestal considera a plataforma ontem apresentada, «importante até para a comunidade em geral, para entenderem o que é a floresta». «A sociedade só valoriza a floresta pelas partes negativas e, é por isso que temos que evitar o flagelo dos incêndios e colmatar a desmotivação dos produtores», referem os responsáveis executivos da Navigator.

O projeto «Produtores Florestais» pretende «estimular a comunicação entre todos os que têm ou que pretendem vir a ter uma relação profissional ou de rendimento ligada à floresta, funcionando como um veículo de partilha de conhecimento, contribuindo para uma floresta mais bem gerida em Portugal, abrindo uma janela de conhecimento e de aperfeiçoamento técnico sobre a silvicultura e as florestas de produção».

 

Mónica Sofia Lopes