O Velódromo Nacional, em Sangalhos, no concelho de Anadia, transformou-se, pelo segundo ano consecutivo, numa sala gigante de doces, “cake design” e acessórios reacionados com a temática, aquando do “Sweet Sugar Festival”, que se realizou durante três dias. Ontem, 7 de abril, na última tarde do evento, foram leiloadas “Obras de Arte Solidárias” que reverteram para a Casa da Criança de Sangalhos.

Autênticas obras de arte disfarçadas de bolo, mas que a quem por ali passou mais pareciam quadros reais, foram leiloadas para a Casa da Criança de Sangalhos, uma valência da Santa Casa da Misericórdia que acolhe crianças em risco (nomeadamente, por negligência) provenientes, essencialmente, de vários pontos do distrito de Aveiro. Uma casa onde residem trinta crianças e que já conta com uma década de existência.

“Ficámos muito satisfeitos em termos sido os escolhidos para receber o valor destes ‘quadros’”, declarou Carlos Santiago, secretário da mesa da instituição, confessando que “todo o valor conta e bem precisamos dele”. Até porque, acrescenta Raquel Abrantes, diretora técnica da Casa da Criança, “os custos são cada vez mais elevados”.

O «Bairrada Informação» esteve no local e assistiu à venda dos dois primeiros quadros de uma panóplia de dez. Se o primeiro conseguiu ser leiloado por cinquenta euros, o segundo foi levado pela metade, vinte e cinco euros. Para além disso, um Adamastor de grandes dimensões foi vendido à fatia, onde cada visitante disponibilizava o valor que entendesse. Nessa altura, a solidariedade não “teve mãos a medir”.

A iniciativa solidária inseriu-se no “Sweet Sugar Festival”, que se realizou, de 5 a 7 de abril, no concelho de Anadia e que é o maior evento de “cake design” realizado em Portugal, pretendendo dar a conhecer o que de melhor se faz nesta área, bem como nos domínios da pastelaria e da organização de festas.

Em 2019, a “grandeza” ultrapassou a edição anterior, com mais expositores (cerca de quarenta), mais palcos e mais concursos. “Este ano conseguimos chegar a mais pessoas da área, vindas de todo o país, como Trancoso, Guarda, Algarve e até da Guiné aqui estiveram», disse, ao nosso jornal, Lúcia Rosa, mentora do projeto, satisfeita com esta segunda edição.

E se em 2018, o número de visitantes rondou os três mil, este ano, Lúcia Rosa acha “que foi ultrapassado”. “Tivemos momentos muito bons”, afiança a mentora, exemplificando com “um desfile de jalecas e fardas, de Catarina Pires, que decorreu no sábado”.

Sobre o futuro e manutenção do evento em Sangalhos, Lúcia Rosa, natural da Bairrada, garante que gostava de mantê-lo “no mesmo local dos últimos dois anos”, mas explica que “é difícil e tentador não ir para os grandes pólos como Lisboa ou Porto”.

 

Mónica Sofia Lopes