(24 e 25 de Janeiro| Coimbra | Convento São Francisco)

 

  • Estudo promovido pela ONCONET SUDOE Portugal dá a conhecer as melhores práticas de farmacovigilância em Portugal, Espanha e França.
  • Infarmed, Centro de farmacovigilância de Navarra e Centro Regional de farmacovigilância de Toulouse foram as três entidades inquiridas no estudo sobre boas práticas de farmacovigilância.

 

Dirigida especificamente à farmacovigilância de medicamentos para o cancro, França revelou ter especial atenção a esta área, reencaminhando as notificações de casos oncológicos para um médico especialista sénior.

Portugal deu os primeiros passos na farmacovigilância com a criação do Infarmed em 1992 e nos últimos anos tem investido em ações e campanhas para sensibilizar, doentes e profissionais de saúde, para a importância da notificação, estratégia que levou recentemente à criação do portal RAM (Notificação de Reações Adversas).

Em Espanha a estratégia passa por facilitar a notificação de suspeitas de reações adversas por meio de um sistema de relatórios simples e acessíveis a profissionais de saúde e consumidores. Por outro lado existe uma aposta em campanhas para incentivar os consumidores a notificar suspeitas de reações adversas junto do Centro de Farmacovigilância de Navarra. A campanha “Erros Zero, desenvolvida em colaboração com a escola oficial de farmácia de Navarra, é um exemplo.

Em França a  implementação do Vigibip® (aplicação de smartphone para a notificação) «é um motor inegável como uma nova forma de notificar, mas também como objeto de comunicação com os profissionais de saúde».

Quando questionados  sobre a forma como é recolhida a informação, Portugal revela armazená-la num único repositório informático. No entanto, segundo o Infarmed, «existem informações de notificações que chegam às unidades por via telefónica ou carta e por isso necessitam de ser inseridas manualmente», prática essa que acaba por ser partilhada pelos três países. Como explica a responsável do Infarmed «todos os dados acabam por ser processados e avaliados através de um conjunto alargado de tecnologias específicas, sendo as mais importantes a base de dados Portal RAM, repositório de medicamento GiMed, portal europeu de RAM: EudraVigilance. No entanto, ainda que a tecnologia desempenhe um papel fundamental na farmacovigilância, continua a existir processamento manual de elevadas quantidades de dados, o que acaba por consumir elevados recursos. É espectável que os procedimentos possam melhorar através do recurso a novas tecnologias que permitam maior eficiência, eliminando as atividades redundantes e sem valor acrescentado e formas inovadoras de gerir os registos dos doentes, melhorar a extração/inserção de dados e melhorar a harmonização da informação proveniente de diferentes fontes».

Para o problema da subnotificação Espanha aponta como solução a criação de um sistema eletrónico capaz de atuar no momento da prescrição. «Temos sistemas eletrónicos integrados no histórico do cuidado primário, mas há potencial para melhorar a recolha de dados de RAMs dos sistemas hospitalares, onde as taxas de notificação têm sido baixas em comparação com as do cuidado primário. O uso de aplicações de telemóvel provavelmente permitirá que um número maior de relatórios de RAM seja recolhido. Estes são os principais procedimentos que podem ser melhorados», esclarece a responsável de Espanha. Já França aposta no envolvimento de um especialista no registo e análise dos casos.

Em Portugal  embora o ciclo de melhoria contínua decorra de forma permanente com algum impacto nos processos, a verdade é que «nos últimos anos, no âmbito do Sistema Nacional de Farmacovigilância, realça-se sobretudo o desenvolvimento e  implementação da nova base de dados e do novo “front-office” do Portal RAM». Já Espanha, na retrospetiva que faz dos últimos 5 anos, aponta melhorias na notificação de reações adversas suspeitas tanto por parte dos profissionais de cuidados de saúde primária como dos  doentes.

Os últimos cinco anos  foram também para França tempos de crescimento, o qual se pautou pelo desenvolvimento de novos métodos para analisar o risco de efeitos adversos com diferentes medicamentos ou grupos de medicamentos e utilização de análises de desproporcionalidade.

Tendo em conta as boas práticas, Portugal recomenda o investimento na sensibilização e formação dos potenciais notificadores, a monitorização mensal das notificações de RAM e a participação ativa em Grupos Europeus relacionados com a farmacovigilância.

Espanha avança com a realização de campanhas periódicas com o objetivo de disseminar a farmacovigilância entre profissionais de saúde e doentes, o fornecimento de informações aos prescritores e doentes através de boletins de informações e a melhoria das ferramentas para detetar sinais de RAM relatadas espontaneamente.

Por último, França recomenda o investimento em técnicos de investigação para recolher e promover a notificação, o uso de aplicações de telemóvel para facilitar as notificações e a especialização de um farmacologista sénior para análise de relatos de efeitos adversos de medicamentos para tratamento oncológico.

Liderado em Portugal pela Universidade de Coimbra, o projeto europeu ONCONET SUDOE – Rede Europeia de Cooperação em Oncologia, tem como principal objetivo criar uma rede de cooperação em Oncologia, colocando em contacto centros de investigação, universidades, unidades de saúde e empresas de Portugal, Espanha e França. O projeto foi cofinanciado pelo Programa Interreg Sudoe através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). A realização do Pharm+V – Conferência de Farmacovigilância em Oncologia conta ainda com o apoio do AIBILI, através da Unidade de Farmacovigilância de Coimbra, e do INOV C. A Unidade de Farmacovigilância de Coimbra é uma Unidade Regional do Sistema Nacional de Farmacovigilância apoiada pela Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde (INFARMED, IP). O INOV C é um projeto estratégico cofinanciado pelo Centro 2020 através do FEDER com o objetivo de consolidar a Região Centro enquanto referência nacional na criação de produtos e serviços resultantes de atividades de Investigação & Desenvolvimento.

 

Fonte: Multicom