Dois meses volvidos da passagem da tempestade Leslie e de mais de sessenta dias encerrada ao público, a Mata Nacional do Bussaco reabriu, na manhã de ontem, dia 20 de dezembro. Presente na simbólica cerimónia esteve Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, que numa viatura 4×4 visitou os principais caminhos intervencionados no último mês.

O «Bairrada Informação» “viajou”, por cinco percursos alvo de intervenção no Bussaco, com Vítor Frias, administrador e fundador da Bioflorestal, S.A., a empresa que nos últimos vinte e seis dias úteis fez um trabalho musculado em setenta e cinco por cento dos oitenta e oito hectares identificados como prioritários.

“Estava tudo bloqueado com árvores. Tudo no chão. Uma devastação completa e muito difícil de se trabalhar”, explicou-nos Vítor Frias, garantindo que os percursos da Porta da Rainha à Porta do Serpa, da Forja à Cruz Alta e desta às Portas de Coimbra “foram os mais complicados”.

“São locais de terreno inclinado, onde não havia a mínima passagem. Estava tudo obstruído”, foi-nos descrevendo o administrador da Bioflorestal, adiantando que as condições climatéricas, no último mês, não favoreceram os trabalhos aos quinze trabalhadores da empresa que estiveram alocados ao Bussaco com a ajuda de três máquinas florestais.

Mas ao fim de um mês, e antes do Natal, como lhe foi pedido, a Mata do Bussaco reabriu ao público. “Tínhamos prometido a visitação à Mata nesta altura, conscientes de que a sua abertura só seria feita com segurança”, disse o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, adiantando, contudo, que “os trabalhos vão continuar”.

Trabalhos esses que tiveram um investimento de trezentos e oitenta e cinco mil euros proveniente do Fundo Florestal Permanente. “Queríamos abrir em tempo útil este espaço”, acrescentou sobre o local que obteve uma quebra de receita, nos últimos dois meses, de duzentos mil euros e onde não houve um único quilómetro que não estivesse obstruído.

Nas últimas semanas foram abatidas setecentas e sessenta e oito árvores, o que provocou uma paisagem atual, em alguns locais, de “espaços e clareiras” que António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, assume agora como “uma mais-valia para a visitação da Mata”. “O problema deu lugar a que pudéssemos arranjar soluções melhores para alguns espaços. Nos próximos meses em vinte e dois dos cento e cinco hectares da Mata, dezasseis mil plantas serão alvo de plantações”, acrescentou.

“Todo o trabalho iniciado a 14 de novembro foi monotorizado, diariamente, com relatórios e reuniões semanais”, disse ainda, afirmando que “não foi abatida nenhuma árvore que estivesse em bom estado fitossanitário”.

Muito presente na “vida” da Mata situada no concelho da Mealhada, espaço que visita regularmente, Miguel Freitas garante que “o Governo continuará a investir no Bussaco em tudo aquilo que for necessário”.

Sobre os trajectos feitos, na manhã de ontem, pelo secretário de Estado das Florestas, António Gravato afiança: “Para além de ler e ouvir o que vamos transmitindo, hoje sentiu o que dizemos, principalmente, nos terrenos fora dos muros da Mata, que impressiona pelo excesso de acácias e densidade da vegetação”.

 

2019 trará mudanças nas entradas na Mata

António Gravato explicou ainda, aos jornalistas, que, em 2019, haverá já uma grande mudança “no paradigma das portas de entrada na Mata”. “Não faz sentido monitorizarmos as pessoas durante o dia e, à noite, isto ficar ‘abandonado’”, declarou o presidente da Fundação, acrescentando que assim se “previne ameaças de incêndio no Verão e furtos à noite, como já aconteceu, com o roubo de fetos com destino ao sul do país”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de JOSÉ MOURA e MÓNICA LOPES, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/