A Fundação Bussaco prevê uma quebra de receita, na ordem dos duzentos mil euros, devido ao encerramento da Mata, para trabalhos de recuperação depois da tempestade Leslie, que assolou os cento e cinco hectares do referido património. Ontem (14 de novembro), o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, voltou a visitar o local, numa altura em que se deu início às obras de reabilitação da floresta pública, situada no concelho da Mealhada, que ao que tudo indica poderá reabrir ao público ainda antes do Natal.

Um mês depois da passagem da tempestade Leslie pela Mata do Buçaco e de trinta dias de trabalhos de limpeza por parte de colaboradores da Fundação, Câmara da Mealhada e Junta do Luso, bem como dos sapadores florestais da Mealhada, Mortágua e Penacova e de centenas de voluntários, ontem, “deu-se início ao trabalho mais musculado” por parte da empresa Bioflorestal, S.A.

As obras resultam de uma empreitada de cerca de duzentos mil euros, financiadas pelo Fundo Florestal Permanente. “Esta relíquia merece a atenção de todos: Governo, Municípios, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e Fundação. E este espírito de unidade e colaboração tem-se refletido nos vários projetos que aqui fomos executando”, referiu Miguel Freitas, enaltecendo “que, do ponto de vista técnico, na Fundação, há um conhecimento profundo do que existe e se passa na Mata”. “E agora não vai ser diferente. Haverá uma monitorização permanente e serão realizados relatórios semanais da recuperação”, disse.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural relembrou que o trabalho entre o Governo e a Mata do Bussaco não é novo e até fez com que “há um ano se entendesse ser necessária a criação de uma Brigada de sapadores florestais para proteger a Mata” levada a cabo pelos Municípios da Mealhada, Mortágua e Penacova. “Sabemos que os problemas desta Mata, muitas vezes, nascem fora dela”, enfatizou.

Os trabalhos de recuperação começaram com o corte de um centenário Cedro do Bussaco, situado junto aos Jardins do Palace, e que foi totalmente derrubado pela tempestade Leslie. “O trabalho que têm pela frente é muito grande, mas valerá a pena dar esta prenda de Natal às populações”, acrescentou Miguel Freitas, garantindo “querer estar presente na entrega deste presente”.

António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, fez também um enquadramento da situação da Mata, no último mês: “Procedemos ao levantamento dos prejuízos e realizámos operações e técnicas florestais. Seguiu-se o procedimento concursal e a adjudicação da obra”. Agora, e com o início da execução, “as prioridades são a desobstrução de caminhos e a limpeza de trilhos, nomeadamente, o da Via Sacra e o das Árvores Notáveis”.

“Em dois meses, haverá aqui uma perda de receita na ordem dos duzentos mil euros”, lamentou António Gravato, elogiando o apoio da secretaria de estado, que “tem vivido estes momentos connosco”. “O primeiro local que Miguel Freitas visitou, quando tomou posse em junho de 2017, foi o Busaco e não esqueço que na altura nos disse que a ‘orfandade’ desta Mata tinha acabado”, enalteceu.

Recordamos que esta primeira intervenção representa apenas metade do necessário para repor a normalidade na Mata após a passagem da tempestade Leslie. Fundação e Autarquia estimam que serão necessários mais duzentos mil euros para reparar os estragos em caminhos, árvores e atrações edificadas, como as capelas da Via Sacra.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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