Em qualquer tarefa diária que realizamos, nem sempre terminamos da mesma forma como começamos. Por vezes, acabamos como iniciamos e por outras terminamos da melhor forma possível. Mas, o que nos mantém menos cansados são aqueles momentos que encaramos com alegria e menos raivoso, independentemente das situações.

No início deste encontro, acontecia de tudo, desde as chegadas atrasadas de colegas que deviam fazer parte do grupo mais cedo. Colegas a esconderem-se porque estavam cansados de fazer e desfazer. Conversas por aqui e por ali, objetos a faltar nos seus devidos lugares. Trocas de olhares tímidos entre os funcionários, e que não foi mais além porque o profissionalismo falou mais alto. Ora faz Sol intenso e a gente ri-se. Afinal os raios do Sol não só nos queimam ligeiramente a pele, como também trazem alegria consigo. E quando é ao contrário, toda a gente fica murcha.

Nesse vaivém de Sol intenso e que por vezes menos, ninguém parou a tarefa que estava a realizar. A sofrer com aquele vento da primavera que às vezes parecia o sopro do inverno, toda a gente a movimentar-se de um lado para outro. Contudo, a conversa não parava, tal como o trabalho que desenvolvíamos. Pouca gente se conhecia e os que não se conheciam faziam questão de se conhecer.

Passamos o dia inteiro a organizar o que viria a ser desorganizado em três horas ou menos. Mesmo assim, o bom humor e a eficácia não nos faltou e fazíamos de tudo para que os 1100 médicos vindos de todo canto do país saíssem dali satisfeitos. Quando tínhamos tudo bem preparado, abandonamos aquele espaço e fomos comer qualquer coisa para aguentar a noite com toda a força e também o vento que se fazia sentir.

Passado uma hora, os ilustres médicos chegaram em grupo quase de uma vez só. Ocuparam os seus devidos lugares e alguns guardaram espaços para os seus colegas e amigos que estavam por chegar. Passaram alguns minutos, já estavam todos à volta das mesas e da piscina magnífica de um dos hotéis mais bonitos e bem localizado do Algarve.

De repente começaram a murmurar um com outro de que estava a fazer frio. O vento não perdoa, mesmo assim, continuaram a comer e a beber. Comentavam que a comida estava boa e a bebida servida era da Bairrada, tudo combinava na perfeição. A única coisa menos boa era frio que se sentia. Pediam cada vez mais vinho para se aquecerem e a gente servia.

Todavia, o frio não passava, cada vez fazia mais vento. Passado alguns minutos, um dos médicos procurou falar com o chefe sobre alternativas ao frio que sentia. E este por sua vez fez questão de arranjar 1100 mantas, para que todos possam sentir aconchegados e para que saíssem dali agradados. Embora alguns preferissem não usar as mantas. De repente, paramos de servir e começamos a distribuir mantas para todos os médicos presentes no encontro.

Comeram pouco mas bem e beberam muito, e até pediam para deixar as garrafas nas mesas, mas não se podia. Aconchegados e concertados a ouvir e a ver a atuação de Carminho. Com frio que se sentia na pele as palmas saiam timidamente, os gritos de satisfação mais forte.

Depois da atuação da cantora de fado, os doutores começaram a abandonar o sítio aos poucos. Sempre que se levantavam para ir, faziam questão de agradecer o serviço prestado e pela salvação das mantas.

Por outro lado, embora com frio, sentimos orgulhosos pelo serviço que prestamos. Portanto, podemos iniciar mal um serviço, mas se no fim terminarmos bem e com mais amigos do que aqueles que já tínhamos, o coração agradece e a mente grita através da fala – GANHEI O DIA.

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL