Longe vão os tempos em que a Feira do Município da Mealhada se realizava no centro da cidade e tinha um cariz mais concelhio. Um formato que “rebentou pelas costuras” dando lugar a um evento maior, com cartaz agora internacional, conhecido por FESTAME, que se realiza na zona desportiva da cidade e já deixa de fora mais do dobro dos candidatos para expositores. A génese do evento mantém-se com a total gratuitidade nas entradas do recinto e para a grande maioria de quem expõe, com excepção dos stands de “street food”, aqueles que fazem negócio de venda direta durante os nove dias.

Mudanças ao nível da estrutura da Feira permitem, em 2018, acolher “um maior número de expositores desde artesanato a agentes económicos”. No primeiro são vinte e seis espaços de arte onde se trabalhará “o couro, a filigrana, a olaria, o empalhamento e muito mais”. No setor empresarial contam-se cinquenta e sete, com diversas empresas, nomeadamente, da área agrícola, do setor automóvel ou da indústria mais pesada. A estes somam-se doze institucionais, vinte e cinco espaços ligados à “street food”, sete tasquinhas, quatro propostas para a área infantil e pequenos espaços de “comes e bebes” de apoio aos palcos.

As entradas do público e praticamente a presença de todos os expositores são gratuitas, só “sendo pago um valor mínimo para aqueles que fazem negócio próximo e contínuo, de venda direta de produtos alimentares, durante todos os dias do certame”. “O nosso cartaz é mais modesto, comparado com outros, mas queremos manter a gratuitidade desta feira”, continuou o edil, declarando ainda que “há sempre uma preocupação por parte da autarquia em que os expositores vejam resultados de negócio” durante os nove dias.

“Encaramos a feira como um certame do povo e para o povo. É um dos importantes contributos do Município para a promoção da gastronomia concelhia, divulgação dos vinhos, da economia local e regional, do Bussaco, das 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, das Termas de Luso e do turismo em geral”, referiu, ao nosso jornal, Rui Marqueiro.

E os expositores agradecem. “A nossa presença tem tido um balanço muito positivo. Temos a oportunidade de nos dar a conhecer e a estarmos mais próximo das pessoas, de maneira a podermos prestar algum esclarecimento sobre as especialidades da clínica, que ainda não são conhecidas por todos”, declarou Rita Fernandes, da clínica Naturalmed.

Habitual no certame procurámos Maria Conceição Rosmaninho que, depois de muitos anos com um expositor pessoal de artesanato, em 2018, estará pela CADES, a associação que preside. “É sempre uma montra aberta e uma mais-valia, não por aquilo que se ‘vende’, mas pelo que se dá a conhecer às pessoas”, disse-nos.

As tasquinhas de gastronomia são também um ponto forte do evento e cabem, este ano, ao Centro Recreativo da Antes, Centro Social de Casal Comba, Centro Melo Pimenta (Luso), Bombeiros da Mealhada, Centro Assistência Paroquial da Pampilhosa, Casa do Povo da Vacariça e Rancho Infantil e Juvenil de Ventosa do Bairro.  “Esta é uma oportunidade de ajudarmos as coletividades das nossas freguesias a criarem alguma receita, na medida em que não pagam rigorosamente nada à Câmara pela utilização dos espaços”, disse o edil.

Com a participação de artistas de três continentes, a edição de 2018, que se realiza de 8 a 16 de junho, tem um orçamento a rondar os duzentos mil euros, idêntico, aliás, ao de 2017. “É um investimento difícil de quantificar, nesta fase, uma vez que ainda estamos a receber alguns apoios, de empresas, o que ajudará a reduzir o investimento municipal”.

São já parceiros do evento, a cervejeira Sagres e a Água do Luso, o restaurante Rei dos Leitões, o Grande Hotel do Luso, o stand de automóveis Auto Macedo, o banco Santander e a gráfica Galé.

FESTAME pode crescer mais

Rui Marqueiro garante que “há espaço para a FESTAME crescer fazendo crescer este local”. “Estamos a ponderar essa possibilidade”, garante o autarca, enfatizando que “há sempre centenas de empresas interessadas em expor no certame, que acabam por ficar de fora justamente pela falta de espaço”.

“Este ano batemos o recorde de ‘nãos’ que tivemos que dar pela falta de espaço. Para ter todos os que se inscreveram teríamos que ter o triplo de dimensão”, declarou, o presidente da Câmara da Mealhada, aquando da conferência de apresentação do evento. “Há muita procura de expositores vindos de fora do concelho”, referiu, garantindo, que é dada primazia aos do município.

 

Mónica Sofia Lopes