Vinte anos depois, a cantora brasileira Fafá de Belém regressa à Mealhada, na noite do próximo domingo, dia 10 de junho, agora, para agitar o palco da FESTAME. Num encontro com jornalistas, no Grande Hotel de Luso, a mítica voz das músicas “Vermelho” e “Abandonada” emocionou-se ao falar da importância que Portugal tem na sua vida e prometeu “muitas surpresas” para o espetáculo que se avizinha.

O encontro de ontem (segunda-feira, dia 4 de junho) estava marcado no Bussaco para que Fafá de Belém plantasse uma árvore. A chuva remeteu esse ato para o dia 11 de junho, mas a cantora não quis deixar de receber os jornalistas e mostrar a sua gargalhada fácil e contagiante.

Neta de um casal de portugueses, oriundos de Castelo de Paiva e Vouzela, que se conheceram nas Festas de Nossa Senhora da Agonia e que partiram para o Brasil, com cinco filhos, em busca de uma vida melhor, Fafá de Belém garante ser de um município brasileiro – Belém do Pará – “muito parecido com Portugal”. “Temos hábitos muito semelhantes, como são o exemplo, o Natal, a Páscoa e a procissão de Nossa Senhora da Nazaré, onde os mantos brancos se expõem à janela”, começou por dizer a cantora, garantindo conhecer Portugal “desde Freixo Espada à Cinta até Castro Marim”.

P6041178“Tenho uma vida muito direta aqui, onde venho desde muito cedo, tendo começado a percorrer Portugal e a ter contacto com o povo português desde 1986”, disse, ontem, para uma plateia de jornalistas.

O conhecimento do país leva até a que esteja, neste momento, a preparar um documentário intitulado “Um olhar sobre o meu Portugal”. “Quero retratar o Portugal das quatro estações e dar a conhecer a tasquinha da esquina que tem um caracol maravilhoso”, referiu, adiantando ainda que, hoje (terça-feira, dia 5 de junho), irá ser nomeada embaixadora da ligação entre Belém do Pará e o Estado Português. “Espero estreitar laços fortes entre os dois”, confessou a cantora de sessenta e um anos.

Proveniente de uma zona brasileira junto à floresta da Amazónia, Fafá de Belém garante que o “encanto pela Mata do Bussaco surgiu há já trinta anos”. “Estive lá e fiquei horas a olhar o repuxo da água, rodeada pelos meus pensamentos”, elogiou, relembrando que “é preciso preservá-la”, nomeadamente, contra o flagelo dos incêndios.

Depois de alguns anos sem fazer concertos “externos”, no próximo domingo, Fafá de Belém subirá ao palco da FESTAME para o que diz ser “o seu primeiro grande espetáculo em praça pública (depois de um interregno)”. “Será um espetáculo cheio de surpresas, onde fundamentalmente vamos querer fazer as pessoas felizes”, prometeu, garantindo orgulhar-se “de ser uma cantora de música popular”.

À questão “qual o português com quem gostaria de partilhar o palco”, a cantora respondeu prontamente ser “Paulo Gonzo” para cantarem juntos o tema “Jardins Proibidos”.

Fafá de Belém falou ainda, entre lágrimas, da importância de Portugal na sua vida, onde recordou o falecimento do pai. “Vim a Portugal, pouco depois disso, e nem sabia que estava a tocar aqui o ‘Vermelho’, só sabia do ‘Abandonada’. Quando desembarquei, passei pelo Estádio da Luz e vi centenas de pessoas com bandeiras a cantar a minha música”, relembrou a cantora, confessando: “Nesse dia, em que ainda vinha muito fragilizada, Portugal me enrolou numa bandeira vermelha e me carregou ao colo…”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura