Um dos grandes desafios da Comissão Vitivinícola da Bairrada, liderada por Pedro Soares, é o da afirmação da marca Bairrada e fazer com que não se confunda um produto produzido e engarrafado com uvas da Bairrada, de outro, que mesmo sendo muito bom, apenas é engarrafado na região.

IMG_9301“É um trabalho longo, que vai no bom caminho, mas que ainda cria confusão no consumidor”, explica José Pedro Soares, elencando as regras definidas, pelos próprios produtores, para que o produto seja marca Bairrada: “A matéria prima tem que ser produzida cá e estar no enquadramento daquilo que é a legislação e o caderno de especificações da região”. Para além disso, garante, “tem que passar por uma prova físico-química” e outra organoléptica, o que, na opinião do dirigente, “dá ao consumidor também uma garantia ao nível da saúde”.

“Se não diferenciarmos o que é feito e certificado com uvas da Bairrada, que cumprem uma determinada legislação, do resto que é produzido cá, mas sem esta legislação ou que é produzido com matéria prima de vários pontos do país ou até do outro lado da fronteira, então não estamos a cumprir a nossa função”, garante Pedro Soares, defendendo que “as denominações de origem servem para valorizar uma economia local, que engloba muita coisa, incluindo a defesa de uma paisagem também”.

E a confusão muitas vezes parte das grandes superfícies comerciais e até de restaurantes, que nas suas cartas têm, no setor Bairrada, vinhos que não o são. Situações precavidas agora pela Comissão que, recentemente, assinou um protocolo com a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica).

“Em primeiro lugar, temos obrigações enquanto organismo que detém o controlo de inspecção de utilização da marca e de produção de produtos vínicos, mas isso não nos permite mandar parar um carro que transporte vinho”, explicou, acrescentando que “depois passa muito pela defesa da marca nos mercados”. “Não posso chegar a um restaurante e dizer ao seu proprietário que há determinado vinho na sua carta que está no setor da Bairrada, mas não o é, mas a ASAE pode”, referiu, enaltecendo que o que importa “é proteger o trabalho e o valor da marca”.

Uma evolução que já se nota e que ao próprio consumidor cria um sentimento de confiança, qualidade e consistência nos vinhos desta marca. “Quando promovemos eventos a regra é só estarem produtos certificados. E muitas vezes o público questiona porque não vê lá produto A, B ou C e, de seguida, porque uns são certificados e outros não. É muito importante clarificarmos o nosso consumidor, dissipando-lhes, assim, as dúvidas e confusões”, concluiu.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de capa de GONCALO VILLAVERDE