A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Mealhada assinalou o vigésimo quinto aniversário, na tarde do passado sábado, dia 19 de maio, na Escola Profissional Vasconcellos Lebre, com uma conferência de Rui Marques, atualmente ligado à Fundação Gulbenkian, onde trabalha a Plataforma de Apoio aos Refugiados e se tem dedicado aos problemas sociais complexos, defendendo modelos de governação integrada.

32915301_2146109485406402_9002403760546250752_nFocado na temática dos problemas sociais complexos e nos modelos de governação integrada, Rui Marques deu dicas para o dia-à-dia dos técnicos e colaboradores da CPCJ. “Participação, liderança, comunicação e avaliação devem estar sempre interligados através da confiança”, disse, garantindo que “para a complexidade só há uma solução que é o da colaboração, que tem que ser efetiva e eficaz”.

Para Rui Marques o sentido e o propósito de cada ação devem ser questionados diariamente. “Quando chegamos à porta da CPCJ devemos questionar: porque estou aqui e para quê? Uma equipa que não está motivada não saberá responder a isto e, consequentemente, não obterá bons resultados”, disse.

Com o foco na confiança, Rui Marques defendeu que “o sucesso para mais vinte e cinco anos da CPCJ da Mealhada passa por construir razões de confiança e isso gera-se com uma boa liderança, comunicação e gestão”. Até porque, garante, “nenhuma organização consegue resolver problemas sem confiança”.

O convidado da Comissão disse ainda haver problemas transversais a todas as CPCJ do país. “A burocracia é enorme, faltam elementos para as equipas e também há graves lacunas nas condições de trabalho”, disse, elogiando, contudo, o bom trabalho que as Comissões fazem. “Há setenta mil processos, todos os anos, nas CPCJ, onde milhares de crianças já foram salvas, mas quando a comunicação social fala é apenas da pequena percentagem de casos que não correram bem”, criticou ainda.

Em representação da Câmara da Mealhada esteve Nuno Canilho que referiu não haver “tema mais complexo do que aquele que envolve os problemas das crianças e jovens”. Já sobre o papel da autarquia na CPCJ, o vereador disse que “para além do apoio logístico, tem o mesmo papel do que qualquer outro ‘player’, uma vez que os problemas complexos só se concretizam em colaboração”.

“Faço votos para que surjam ideias concretas para podermos trabalhar em conjunto com a comunidade”, concluiu.

 

Mónica Sofia Lopes