A GNR da Mealhada procedeu à retirada de um homem que residia numa habitação em ruínas, há mais de uma década, situada em propriedade privada, na zona do Cardal. O terreno, agora pertença da Câmara Municipal, será alvo de intervenção em prol do alargamento da futura obra da ETAR. O indivíduo, após avaliação psiquiátrica, será agora realojado.

Joaquim Pinheiro, de cinquenta e três anos, teve conhecimento de que seria “convidado” a sair do local onde vive, há onze anos, numa habitação, sem água e sem luz, e recorreu ao «Bairrada Informação» para contar a sua história. Oriundo de Guimarães, começou por nos dizer estar “desempregado há quinze anos”, altura em que foi “enganado” para ir trabalhar em Espanha, de onde fugiu. Regressou a Portugal, a pé, até à cidade de Coimbra.

“Fui ajudado pela Cáritas, mas como não arranjava emprego naquela zona, vim para a Mealhada com o sentido de conseguir alguma coisa na área das vindimas”, declarou-nos Joaquim Pinheiro, acrescentando que, como arranjou uns dias de laboro, “por aqui foi ficando”.

A recorrer ao apoio do Estado, através do Rendimento de Reinserção Social – cerca de cento e sessenta euros mensais -; e comida e vestuário da Cáritas e, posteriormente, da Acção Social do Município da Mealhada, pediu ao “dono” do terreno para o deixar ficar naquela casa, situada no meio de mato. “Fui alertado para a falta de condições do espaço, mas como não tinha para onde ir, deixei-me estar…”, referiu-nos no local, onde o lixo era abundante e o cheiro nauseabundo.

Ao nosso jornal, Joaquim Pinheiro “queixou-se” que, desde há dois anos, altura em que alterou a sua morada de Coimbra para a Mealhada, terá deixado de receber comida e roupa da Loja Social da Mealhada.

Uma versão que fonte da autarquia contradiz, explicando que “para além do senhor não apresentar qualquer documento para ser alvo de apoio, ainda ficou suspenso de receber bens por ter tratado mal as funcionárias da Ação Social”. Um tratamento, revelado aquando da presença do nosso jornal no local, onde nos replicou acusações e ameaças a pessoas que trabalham na autarquia caso “o tentassem tirar do local”.

O prédio, em ruínas, estava localizado num terreno que servirá de “acrescento às obras da Estação de Tratamento de Águas Residuais da Mealhada”. Para além disso, residir ali já se manifestava um perigo.

E foi por isso que, a GNR da Mealhada, no âmbito do seu programa Idosos em Segurança, ao final da tarde da passada quinta-feira, dia 3 de maio, esteve no local para a retirada do indivíduo. “Era um prédio em ruínas que estava em perigo de colapsar”, declarou o Capitão Cláudio Lopes, comandante do Destacamento Territorial de Anadia da GNR, explicando que “o indivíduo foi conduzido, no imediato, ao hospital para ser alvo de uma avaliação psiquiátrica”.

Nessa altura, e segundo conseguimos apurar, toda a habitação foi demolida, com a ajuda de uma máquina, para não haver o risco de o indivíduo, ou qualquer outra pessoa, voltar aquele local.

O Capitão Cláudio Lopes referiu ainda que todo o processo foi realizado “em estreita coordenação com a Câmara da Mealhada, tendo sempre em vista uma resposta social”. “Agora que já teve alta (poucas horas depois de ser internado), dar-se-á o processo de realojamento”, acrescentou.

Uma informação também prestada por Rui Marqueiro, presidente da autarquia.

 

Mónica Sofia Lopes