Foi com toda a “pompa e circunstância” que a Assembleia e a Câmara Municipal de Anadia celebraram mais um aniversário da “Revolução dos Cravos”. As comemorações oficiais dos quarenta e quatro anos do 25 de Abril de 1974 tiveram como novidade a realização ao ar livre da sessão solene do órgão deliberativo, que decorreu na Praça do Município.

Para além das entidades oficiais, marcaram presença no evento representantes das várias associações socioculturais e desportivas do concelho, bem como inúmeros convidados.

O programa teve início, com a receção às entidades e a apresentação de cumprimentos à Guarda de Honra, composta por elementos dos Bombeiros Voluntários de Anadia e da Guarda Nacional Republicana. Após o hastear das bandeiras, ao som do hino nacional executado pela Associação Musical da Bairrada, as associações columbófilas do concelho realizaram uma largada de pombos. A cerimónia prosseguiu com a sessão solene propriamente dita, com as várias intervenções de representantes dos partidos e movimentos com assento na Assembleia Municipal de Anadia, os quais teceram um conjunto de considerações sobre a importância da evocação deste acontecimento histórico, bem como sobre os valores que lhe estão inerentes.

Na sua intervenção, a presidente da Câmara de Anadia, Maria Teresa Cardoso, destacou “a importância de relembrar esta data para não a deixar esquecer, de saber para não ignorar e de sentir como terá sido para não repetir”. Sublinhou que o direito à opinião e a poder manifestá-la “é uma das grandes conquistas do 25 de abril”, contudo, no seu entender, há quem “ao abrigo da capa da liberdade de expressão e do exercício da cidadania” exprima a sua opinião “com segundas intenções, visando deturpar, confundir, iludir, enganar… Verdadeiras ‘eminências pardas’ espalham meias-verdades ou mesmo mentiras deliberadas, esquecendo, ou não, que o que leva segundos a criar pode viver para sempre, com prejuízo de terceiros”, acrescentou. Maria Teresa Cardoso considera que “o exercício da cidadania não é isto”, frisando também que “não seria isto o que os revolucionários tinham em mente quando arriscaram a vida para devolver a liberdade aos seus concidadãos”.

Coube ao presidente da Assembleia Municipal, Manuel Pinho, encerrar a sessão. Referindo-se às conquistas do 25 de abril, lembrou que “a liberdade não simboliza apenas a queda de um regime despótico – ela personifica a responsabilidade que se nos impõe na transformação da esperança numa realidade em toda a sua plenitude”. Manuel Pinho afirmou ainda que “hoje, as autarquias locais são um baluarte e garante da democracia”, sublinhando que “o poder local é um exemplo de como se pode proporcionar e promover a democracia, pelo que a sua afirmação e competências são imprescindíveis na preservação desse desiderato”, e que, como tal, “urge a descentralização, não a qualquer preço, mas estruturada e exequível”. O autarca defendeu que nos cabe “a responsabilidade de reclamar o aumento das competências das autarquias, traduzidas em delegações sustentadas e vocacionadas para as realidades locais”.

Finda a cerimónia, a celebração prosseguiu no Parque das Merendas da Curia, onde decorreu um almoço partilhado, que teve grande adesão popular e se estendeu até ao final da tarde.

Comemorações do 25 abril prosseguem até 5 de maio

O programa das comemorações do 25 de abril prolonga-se até dia 5 de maio, data em que fecha portas a exposição documental “As paredes da Liberdade”, do Centro de Documentação 25 de abril, que pode ser visitada na Biblioteca Municipal de Anadia, de segunda a sexta-feira, das 10h às 13 horas e das 14h às 19 horas, e ao sábado, das 10h às 13 horas e das 14h às 17 horas. A mostra dá a conhecer algumas pinturas murais que cobriram os muros e paredes das cidades após o 25 de abril de 1974, uma época em que a arte foi levada para as ruas, e os muros se transformaram em telas, espelhando uma intensa atividade propagandista, reveladora da adesão popular ao movimento revolucionário.

Entretanto, no dia 30 de abril, pelas 21h 30m, Filipa Pais e Janita Salomé sobem ao palco do Cineteatro Anadia para apresentarem o concerto “Cantares do Andarilho: as músicas do Zeca”, uma evocação do cancioneiro de Zeca Afonso. Os bilhetes podem ser adquiridos no Cineteatro Anadia na sexta-feira e no sábado, das 20h às 23 horas, e no dia do espetáculo, a partir das 14 horas. Estão igualmente disponíveis na bilheteira online – BOL (www.bol.pt), nos CTT, Fnac, Worten e noutros postos BOL. O bilhete tem o custo de 7,50 euros, estando reservado um desconto de cinquenta por cento aos portadores dos cartões Anadia Jovem e Anadia Sénior.

 

Fonte: Município de Anadia