Os documentos de prestação de contas, referentes ao ano de 2017, do Município de Anadia, cujo resultado líquido foi negativo em cerca de um milhão de euros, foi aprovado, por maioria, com votos negativos das bancadas do PSD, CDS e CDU, partidos críticos aquando da análise do documento, que não ficaram sem resposta do lado da bancada do Movimento Independente Anadia Primeiro (MIAP).

Para Rui Bastos, da CDU, o resultado apresentado não foi uniforme com o que foi explanado no Orçamento, exemplificando: “Não foram executados os projetos relativos à eficiência energética na via pública, não se realizou o concurso de Ideias e Negócios e ficou por fazer a requalificação no rio Cértima”. “Sabemos que o orçamento é um documento previsional, mas não deixa de ser um caderno de intenções que devia ser sempre o mais rigoroso possível”, defendeu.

Em resposta Teresa Cardoso, presidente da autarquia, garantiu que os documentos apontam “sempre para projetos que sejam candidatáveis, alguns no âmbito da comunidade intermunicipal, como por exemplo, o do rio Cértima”. “Enquanto não obtivermos comparticipação não avançamos com a obras, mas isso não significa que não haja intervenção nos pontos mais fulcrais”, disse a edil, acrescentando ainda que “este ano serão colocadas mais de mil lâmpadas LED em substituição das de mercúrio”. “Conseguimos uma das maiores taxas de execução de sempre”, enalteceu.

Para Tiago Castelo Branco, do PSD, “um município que continua a apresentar um resultado negativo de um milhão de euros não pode dizer que está tudo bem”. “Há que acabar com as festarolas, porque enquanto a população de Anadia tem necessidades sociais, continuamos a gastar milhões de euros em programas culturais”, disse.

Para o deputado, “há pessoas que só queriam viver num sítio condignamente, mas nem habitação social têm no Município”. “Tem que se trocar as festas em prol de disponibilizar habitações e pão às famílias que precisam”, acrescentou.

Teresa Cardoso lamentou: “Dizer que há um resultado negativo por causa de investimento em festas é não ter lido os documentos. Está bem explícito as causas deste valor, nomeadamente, no apoio que demos, por exemplo, para a requalificação do quartel dos Bombeiros de Anadia”.

Mas da bancada do MIAP foi Luís Santos quem fez “estalar o verniz”. “Desafio o senhor deputado a apresentar-nos esse grande número de pessoas que precisa de apoios sociais”, refutou o deputado, acrescentando: “E diga-nos também quantas pediram apoio social ao Município e este lhes foi recusado”. O deputado disse ainda saber de casos “de autarcas de Juntas que já quiseram apoiar pessoas, nas freguesias, e estas rejeitaram”.

Mas Tiago Castelo Branco, em relação aos números, alegou “ser esse um trabalho dos vereadores que são pagos para isso”, acrescentando: “Eu é que o desafio a mostrar-me que determinadas pessoas em Anadia vivem sem dificuldades”.

José Carvalho, do MIAP, disse estar “estupefacto com a forma como a oposição olha para os números destes documentos”. “Houve aumento nas funções sociais com um saldo muito próximo dos quatro milhões de euros, o que significa que bastava o Município baixar aqui um milhão para o resultado líquido já ser positivo. Podíamos também não ter apoiado os Bombeiros e nem ter feito transferências para as Juntas de Freguesia, mas não foi o que foi feito”, explicou o deputado, enfatizando: “Houve redução das dívidas a terceiros em vinte e oito por cento e diminuição total do passivo em sessenta e sete por cento”.

O documento foi aprovado com vinte e dois votos a favor, quatro contra e duas abstenções.

 

Mónica Sofia Lopes