A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e a Comissão Vitivinícola da Bairrada assinaram, na manhã de 19 de abril, um protocolo de cooperação baseado na “fiscalização do setor vitivinícola com vista à sustentabilidade do território”. Na mesma ocasião, a ASAE procedeu ainda à doação, de cerca de cento e cinquenta artigos de vestuário e calçado, à Delegação em Anadia da APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental).

Foi no Museu do Vinho da Bairrada, na cidade de Anadia, a já rotulada “capital do espumante”, que Pedro Portugal Gaspar, inspector geral da ASAE, e José Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, assinaram o protocolo de cooperação.

Ao «Bairrada Informação», Pedro Portugal referiu que “a ASAE procura a defesa e autenticidade dos produtos no mercado nacional”. Nessa política, e depois do mesmo ter acontecido na região dos “vinhos verdes”, o protocolo “salta” agora para a Bairrada.

Na prática, explica, haverá “troca de informações da ASAE com a entidade reguladora na matéria vitivinícola”, o que trará maiores e melhores resultados “no terreno”. “O objetivo central é o da proteção dos bens, assegurando a concorrência económica”, concluiu.

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Para uma plateia de produtores e empresários do setor, o presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, referiu: “Todos sabemos o que custa a construção de uma marca. Por este motivo, tudo o que sejam ações que contribuam para o seu valor, só podem ser bem acolhidas”. E lamentou ainda: “Não podemos chegar a superfícies comerciais e ver, no separador da Bairrada, produtos que não o são”.

Presente na sessão esteve também Lino Pintado, vereador na Câmara de Anadia, que se manifestou satisfeito com a assinatura do protocolo. “Ao fazê-lo está-se a defender a autenticidade e origem do produto Bairrada, onde está em causa a honra e o trabalho de todos os produtores”.

Doação da ASAE à APPACDM de Anadia

O momento foi também aproveitado pela ASAE para colocar no terreno “a sua política de responsabilidade social”, entregando à APPACDM de Anadia cerca de cento e cinquenta artigos, resultantes de apreensões efetuadas pela referida Autoridade nas zonas de Santarém e Entroncamento.

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Ténis, camisolas, camisas, pólos, t-shirts, casacos, sapatos e até colares foram muitos dos objectos que, ontem de manhã, saíram de uma “montra” improvisada no Museu do Vinho para os utentes da APPACDM. “Cada vez mais tentamos que o fim a dar a estes objetos seja o da doação e não o da destruição”, disse Pedro Portugal Gaspar.

E, nesta caso, quem dita o destino destes objetos são as marcas, alvo de falsificação nos produtos, que, se em Tribunal consentirem a doação, esta acontece, caso contrário o futuro de todo o material é o da destruição. “Todo o vestuário e calçado tem que ser descaracterizado, isto é, as etiquetas têm que ser cortadas e os símbolos têm que ser tapados para assim perderem o valor da contrafação. Muitas empresas nem sempre estão certas de que as instituições o fazem e na hora de darem a aprovação não o permitem, com receio da replicação da falsificação”, explicou o inspector geral da ASAE, satisfeito, contudo, por serem cada vez menos as marcas que se opõem.

“Este ano já procedemos à entrega, por todo o país, de três mil e oitocentas peças», disse ainda.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura