A verba disponibilizada à Associação do Carnaval da Bairrada, para realização do evento de 2018, foi questionada na Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou na noite da passada sexta-feira, tendo Rui Marqueiro, presidente da autarquia, dito não encontrar motivos que justifiquem acionar o apoio de vinte e quatro mil euros, só utilizado para “situações excepcionais”. Na reunião ordinária do executivo, na passada segunda-feira (dia 16 de abril), o assunto voltou a ser falado, novamente pela coligação, numa altura em que ainda se desconhece ser, ou não,  preciso esse apoio, pois “à autarquia ainda não chegou nenhum pedido”.

O tema foi desencadeado, no passado dia 13 de abril, por Luís Brandão, deputado da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada” (agregação entre o PSD, CDS, Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico), que quis saber se “havia alguma redução de apoio, em vinte e quatro mil euros, à Associação de Carnaval”.

Na altura, Rui Marqueiro relembrou a existência de um protocolo que estabelece “uma dotação de sessenta mil euros à Associação de Carnaval e que, em casos excepcionais, pode crescer até aos oitenta e quatro mil euros”. O edil acrescentou, contudo, que, em relação à edição deste ano, não encontra “nada que justifique a atribuição desse valor”.

“Houve um desfile noturno (na segunda-feira, recorde-se, em substituição do corso de domingo que foi cancelado) que parece ter corrido bem e que a organização quer repetir”, disse o autarca, mas ressalvando que “ainda ninguém apresentou contas de nada à Câmara e também não foi feito qualquer pedido”.

No início desta semana o assunto voltou à reunião do executivo, com Adérito Duarte, da coligação, a questionar as mais recentes declarações de Rui Marqueiro. “Pode ser dada aquela ideia de que, na dúvida, metam os mãos nos bolsos e não criem soluções…”, afirmou.

E o autarca voltou a proferir o discurso da sessão da Assembleia Municipal, enfatizando: “Há um protocolo assinado e a verdade é que houve receita no desfile noturno. Nos dois dias julgo que obtiveram onze mil entradas. Ora se fizermos esta conta, somando a verba que a Câmara já disponibiliza, se calhar não haverá motivo para mais vinte e quatro mil euros”. “Mas a verdade é que as contas ainda não nos foram apresentadas”, continuou o autarca, acrescentando ainda: “Nem um pedido de agendamento de reunião me foi feito”.

Nuno Canilho, vereador na autarquia, referiu-se ao assunto como sendo uma “não questão”. “Já passaram dois meses do evento. Por esta altura as contas já estarão todas pagas e já se saberá se a Associação necessita ou não desse valor, mas a verdade é que isto é uma ‘não questão’ porque ainda ninguém nos pediu nada”, defendeu, acrescentando também que o ano civil de apresentação de contas da ACB só acontece em junho.

Às questões colocadas pelo «Bairrada Informação» acerca do balanço financeiro do evento deste ano, bem como se iria ser feito algum pedido à autarquia, Alexandre Oliveira, presidente da direção da Associação de Carnaval da Bairrada, declarou estarem “a ser finalizadas as contas” e que “no devido tempo serão apresentadas”.

 

Mónica Sofia Lopes