A cratera que abriu junto ao Pavilhão do Luso, na semana passada, bem como dois aluimentos de terra, um deles no centro da vila, e ainda outro na Zona Industrial de Viadores, na Mealhada, estão na “ordem do dia” das preocupações da Câmara da Mealhada. Há estudos a fazer e o processo de todo este trabalho depende também da melhoria das condições atmosféricas. Rui Marqueiro, presidente da autarquia, garante que o carácter é “urgente” e que apesar do grande investimento, os cofres do Município não sofrerão nenhuma “insustentabilidade financeira”.

Foi há mais de uma semana que a cratera junto ao Pavilhão do Luso abriu e desde então não tem dado descanso ao executivo de Rui Marqueiro. “Há ali muitas linhas de água, canalizações que não são de todo conhecidas e há também obras em que, na sua execução, não se respeitaram exactamente os projetos”, explicou o edil, na tarde do dia 12 de abril, garantindo que terá que ser feito “um levantamento integral, quer de video quer de georadar, das linhas de água e das canalizações que existem no fundo do Pavilhão”.

Tudo isto a pensar na “solidez da construção do Pavilhão”, uma obra que afirma “não estar, neste momento, em causa”, até porque “tem um método construtivo em estancaria que lhe garante estabilidade”.

“Estamos a viabilizar todos os esforços, auxiliados pela empresa construtora do edifício, os nossos engenheiros e empresas de especialidade, assim como da Sociedade das Águas de Luso ao nível da hidrogeologia”, acrescentou o autarca, afirmando estar-se “a fazer tudo o que tecnicamente nos tem sido recomendado”.

Já sobre a derrocada de terras no centro da vila do Luso, o local está protegido e vai ser alvo de uma análise profunda à sua geomorfologia. Rui Marqueiro garante até “haver um estudo na Câmara, com mais de sessenta páginas, sobre aquele morro”.

Apesar de colocar de lado que haja perigo, o edil explica, contudo, que tem que haver cuidado, uma vez que “ali estão dois grandes depósitos de água”, que no conjunto de todo o cenário, “pesam milhares e milhares de quilos”. “Tem que ser arranjada uma solução para que o morro não continue a desmoronar-se, principalmente, neste tempo de chuva”, afirma.

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Também no Luso, na Estrada Vale do Bico, houve, na manhã de ontem, um desabamento de terrenos “de particulares”. “O local está confinado (mas transitável), as águas foram reencaminhadas e, portanto, não há problema”, diz.

Por fim, o município registou ainda situação idêntica na Zona Industrial de Viadores que colocava “em causa eventualmente o pavilhão de uma empresa”. “A Câmara levou para lá máquinas pesadas” e colocou material que evita “o alastramento da derrocada”. “Vamos agora refazer a rede de águas pluviais, que entrou em colapso”, proferiu.

E todas estas situações, principalmente a do Pavilhão, diz serem “de emergência”. “Serão feitas com os nossos técnicos e consultadoria exterior”, anuncia o autarca, que não fala para já “em números”, mas garante que não existirá “insustentabilidade financeira” nos cofres da autarquia.

O engendrar de todos os projetos fica também dependente das melhorias do tempo “para se poder intervir mais capazmente, nomeadamente, no Pavilhão, onde é preciso que não corra toda aquela água para nos permitir entrar nas galerias para fazermos vídeos e georadares em condições”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura