Nas eleições autárquicas de 2013, muitos munícipes em diversos concelhos do país, foram “obrigados” a votar não pela sua habitual freguesia, mas num conjunto de freguesias. Inconformados com a situação, um grupo de pessoas inicialmente apenas de Amoreira da Gândara, concelho de Anadia, manifestou-se publicamente numa ação que intitulam de “Juntos pela restauração das nossas identidades”. O passo seguinte será o da assinatura de uma petição, munida de fundamentos, que querem levar à Assembleia da República, apelando a que seja feito um referendo sobre o tema.

Foi na tarde do passado dia 21 de março, que o “encontro” aconteceu, no dia em que a ex freguesia de Amoreira da Gândara comemoraria noventa anos, e onde cerca de uma dezena de pessoas se juntou perto do edifício da Junta. “Queremos ser ouvidos e dar voz à população”, declarou, ao «Bairrada Informação», Lídia Pato, porta-voz do grupo, garantindo “não se sentirem representados, nem os seus interesses defendidos”. “Queremos a reposição das freguesias e o trabalho sério e efetivo de proximidade”, acrescentou.

E pela “reversão da organização administrativa” que defendem, colocaram “em cima da mesa” alguns pontos, que avaliaram na atual União das Freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas, nomeadamente, na “prestação de serviços à população; eficiência e eficácia da gestão pública; representatividade e vontade política da população; área e meio físico”; e “história e identidade cultural e social”.

Para este grupo de cidadãos “não se verificam ganhos ao nível da prestação dos serviços de proximidade”, há “demora” na resolução de algumas necessidades e acrescentam que “as mais básicas são descuradas”. Dizem ainda que são díspares “as vivências culturais e sociais das três freguesias, havendo eventualmente uma uma maior proximidade entre a população de Ancas e Paredes do Bairro, do que qualquer uma destas com Amoreira da Gândara”.

Para além de considerarem que a agregação “imposta” falhou nos princípios e nos objetivos que a Lei n.º 22/2012, de 30 de maio, impôs, dizem “reprovar o que atualmente se passa nos órgãos da União de Freguesias”. “Qualificamos o comportamento dos órgãos como muito pouco democrático e em nada promotor do interesse público”, dizem, referindo-se ao “desentendimento dos eleitos desde 2013 (nesta altura, foram necessários nove meses para que a constituição dos órgãos fosse possível) até à atualidade”.

“Isto revela um processo administrativo desajustado, que denuncia um processo imposto feito por régua e esquadro”, continua Lídia Pato, garantindo que “houve falta de um estudo e de divulgação de todo o processo à população”. “Foi tudo feito de forma pouco clara, nada participativa e a verdade é que as pessoas, pelo menos aqui, continuam sem perceber o que aconteceu”, lamentou.

E segundo esta porta-voz do movimento “Juntos pela restauração da nossa identidade”, a União das Freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas tem “cerca de duas mil e setecentas pessoas, o que significa que, mesmo em União, continuamos a ser pequenos e sem autonomia”.

Ressalvando ser “em prejuízo da população (com um grau elevado de pessoas com mais de sessenta e cinco anos), onde antigamente tinham três autarcas para mil habitantes e agora, pelo mesmo tempo, temos os mesmos três para quase três mil…”, garante Lídia Pato, explicando que “as pessoas estavam habituadas a ver o seu presidente da Junta e a ‘chamar’ o executivo quando havia um qualquer problema na sua rua… Essa proximidade deixou de existir!”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de Lídia Pato