Cerca de cem utentes da Extensão de Saúde da Vacariça (que funciona na Casa do Povo da freguesia) manifestaram-se, na manhã de 20 de março, junto ao Centro de Saúde da Mealhada, alegando “instabilidade”, nomeadamente, pelo facto do Posto encerrar duas vezes por semana. Uma medida que a cordenadora, após reunião com alguns utentes, disse acontecer “por não terem enfermeira” nesses dias. Amanhã, e segundo comunicado, acabado de chegar às redações, irão “protestar” junto à Administração Regional de Saúde do centro, em Coimbra, a partir das 10 horas.

“Somos uma freguesia com mais de três mil eleitores e sempre tivemos Extensão de Saúde, após o 25 de Abril. Tínhamos médico todos os dias e havia sempre muita gente”, começou por explicar, ao «Bairrada Informação», Ilídio Lopes, lamentando que “de há dois anos para cá, com a vinda da dr.ª Ana Ernesto da Vacariça para o Centro de Saúde, deixamos de ter estabilidade na freguesia”.

“Houve alturas em que só tínhamos médico de manhã, num outro momento encerrou e depois abriu, mas com condicionantes em alguns dias. Isto quando, nos dias em que devia abrir, tem um papel à porta a dizer que está fechado por falta de médico”, continuou o utente, garantindo que cansados da situação, “há cerca de um mês, fomos todos escrever no Livro de Reclamações”. “Fomos tantos que só acabámos quando o livro chegou ao fim. Estamos aguardar por outro…”, continuou.

Para este utente, que muitas vezes serve de “táxi” às pessoas da freguesia que precisam de cuidados diários, “a ‘desculpa’ dada de que faltam assistentes administrativos para abrir o Centro” não é válida: “Vamos à Pampilhosa e estão duas, aqui na Mealhada estão três….”.

E na manhã de ontem foi também notória a preocupação pelo facto de haver pessoas que estão a tentar passar o seu processo clínico para a Pampilhosa ou Mealhada. “Isto vai fazer com que saiam utentes da freguesia e um dia destes fecham-nos, definitivamente, o pouco que temos”, disse-nos outra manifestante.

Também Cidália Baptista lamentou que “isto esteja a acontecer numa freguesia, que tem população idosa e que, para os tratamentos diários, tenha que fazer quilómetros com uma Extensão à porta de casa e ainda por cima com boas condições”.

DSC05032Muitos dos utentes, que na passada terça-feira se manifestaram, levaram consigo as cartas de resposta de Carlos Ordens, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego, às reclamações efetuadas. Em todas lia-se que “com a entrada de um novo médico a 1 de março do presente ano, compete à Ex.ma Sr.ª cordenadora da Unidade de Cuidados de Saúde Partilhados a reorganização dos horários”.

E cerca de uma hora depois da manifestação ter tido início, Ana Ernesto, cordenadora da UCSP, e a assistente social da mesma Unidade reuniram com uma comissão restrita de utentes. À saída dessa sessão, Ana Melo reproduziu, ao nosso jornal, o que lhes foi dito.

“O médico, que lá está desde o dia 1 de março, já tinha sido colocado há cerca de um ano, só tendo oficialmente chegado agora”, disse esta utente da Extensão de Saúde da Vacariça, garantindo que o “problema” reside no facto de, para o Posto estar aberto, ser preciso um corpo clínico com um médico, um enfermeiro e um administrativo “e o que está acontecer, neste caso, é que a enfermeira não pode estar às terças e quintas-feiras, uma vez que faz Enfermagem Ocupacional (Medicina do Trabalho) em Coimbra”. “É isto que leva a que o Posto da Vacariça tenha que estar encerrado dois dias”, referiu.

Segundo esta utente, a cordenadora da UCSP terá sugerido ainda que “os utentes se deslocassem a quem dá as ordens, neste caso, ao doutor Carlos Ordens”.

No dia seguinte ao da manifestação, o Bloco de Esquerda da Mealhada emitiu um comunicado garantindo ser “solidário com a população da freguesia da Vacariça”, condenando “a intermitência do serviço da Extensão de Saúde da Vacariça”. “Queremos, no imediato, que se assumam as responsabilidades e um serviço de qualidade”, escreve Dilan Granjo, membro da Comissão Coordenadora Distrital de Aveiro.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes