A primeira pedra das obras de requalificação do Convento de Santa Cruz e das capelas dos Passos e Via-Sacra no Bussaco foi “lançada” no dia 15 de março, com a assinatura do auto de consignação da empreitada entre a Câmara da Mealhada e a empresa Augusto de Oliveira Ferreira & C.ª, Lda. No valor total de quase um milhão de euros e com duração de um ano, as obras levarão ao encerramento dos espaços intervencionados, o que, no caso do Convento, levará também a uma quebra de receita para a Fundação Bussaco.

A intervenção é financiada por fundos comunitários, no âmbito do programa Centro 2020, e decorrerá sob a orientação da Direção Regional de Cultura do Centro, sendo a Câmara da Mealhada o “dono da obra”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
OLYMPUS DIGITAL CAMERA

“Da parte da Administração Central houve sempre um ‘nim’ e as coisas não se desenvolviam. Foram anos de um processo moroso, árduo, às vezes desesperante, mas que valeu a pena”, referiu Rui Marqueiro, presidente da autarquia, afirmando que quis que esta empreitada tivesse um teor de “proximidade” e que, por isso, também não aceitou “a intenção do Estado em querer ser o seu ‘dono’”.

“A Câmara assume o valor monetário da empreitada, mas também a sua gestão, mesmo que seja uma obra difícil para a autarquia, até porque estamos a falar de uma património nacional…”, acrescentou o autarca, garantindo, contudo, “confiar, plenamente, no trabalho dos técnicos da Câmara”.

E, na manhã do passado dia 15 de março, aquando da assinatura do auto de consignação, António Gravato, presidente da Fundação, enalteceu o “enorme empenho do autarca”, relembrando a recente classificação do património do Bussaco a Monumento Nacional. “Não o ser, já estava a travar entraves em algumas candidaturas”, continuou, garantindo que “pela frente há um trabalho exigente”, mas que está a ser planeado.

“No Convento serão investidos 543.269,24 euros, oitenta e cinco por cento financiado por fundos comunitários, assumindo a Câmara da Mealhada o pagamento da contrapartida nacional, 81.490,40 euros”, lê-se num comunicado da Fundação, que acrescenta que nas “obras a realizar nas capelas dos Passos da Via-Sacra serão investidos 299.414,44 euros (56,78% financiados por fundos comunitários, ficando o município da Mealhada responsável pela contrapartida nacional, de 129.414,44 euros)”.

Uma responsabilidade que faz toda a diferença, uma vez que Rui Marqueiro garante que “a obra poderia vir a ser feita (sem o apoio da Câmara), mas garantidamente não seria agora e é, neste momento, que tem que acontecer antes que o telhado venha cair…”.

Com as obras no Convento, este passou a estar fechado desde ontem, o que implica para a Fundação uma quebra na receita, no valor de cerca de quarenta mil euros. “Vamos recuperar a Ermida de São José, colocando mobiliário como era no passado, e tentar canalizar as pessoas para esse local”, explicou ainda António Gravato, da Fundação, entidade que, durante um ano, apoiará a intervenção disponibilizando recursos técnicos e humanos e assumindo “um conjunto de despesas relacionadas com questões logísticas e de limpeza”.

“A empreitada adjudicada (a uma empresa especializada há mais de cinquenta anos em património construído), engloba trabalhos de conservação e restauro em fachadas, paredes e tetos interiores; recuperação de vãos interiores, e exteriores, e de coberturas; e ainda de intervenções pontuais de correcção em drenagem de águas pluviais e em pavimentos”. Será também reabilitada a torre sineira do Convento, que abrirá ao público pela primeira vez, disponibilizando uma vista para o Convento e Jardins do Palace “nunca antes vista”.

 

Textos de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura