Antes de se falar acerca da importância dos espaços exteriores na creche e no jardim de infância, importa primeiramente definir o conceito de Brincar e salientar a importância do Brincar em educação de infância.DSC09590 (1)

O ato de Brincar constitui uma atividade prazerosa e quotidiana na vida das crianças e necessária para que elas exercitem a sua imaginação.

Na brincadeira a criança ordena, desordena, destrói e constrói o mundo a sua maneira, conquistando assim um espaço para suas fantasias, desejos, medos e sentimentos. Constrói o seu conhecimento a partir das experiências que vivem, pois quando brinca a criança se defronta com desafios e problemas e, por isso, tentará encontrar soluções, criando e manifestando desejos e curiosidades.

A brincar as crianças desenvolvem noções de espaços temporais, a linguagem, a desenvoltura, a organização e muito mais, pois têm mentes férteis capazes de tornar o imaginário, real. É através do brincar que elas se tornam capazes de reverter o egocentrismo e aprendem a partilhar e tomar iniciativas próprias, emitir opiniões e sugerir.

A importância do brincar no espaço exterior nas creches e nos jardins de infância

Como acima referido, o brincar é um meio essencial para o desenvolvimento harmonioso das crianças e para tal necessitam de oportunidades, de tempo e espaço. Neste sentido, o CAPP pretende com este pequeno artigo, refletir e fazer refletir sobre a importância de brincar no exterior e dos seus benefícios.

De acordo com a Associação de Intervenção Precoce (ANIP), “as brincadeiras em espaços exteriores desenvolvem crianças mais felizes, criativas, saudáveis e permiti-lhes ganhar competências para a vida adulta”.

Desta forma, o espaço exterior constitui um grande potencializador em vários níveis, para o desenvolvimento integral e harmonioso da criança.

As crianças ao brincarem ao ar livre têm a possibilidade de desenvolver a interação social entre os pares, bem como com os adultos de referência, de contacto e exploração de alguns materiais naturais p.ex. pedras, paus, folhas, plantas, areia, terra, água, bichinhos, etc., de realizarem atividades físicas, promovendo deste modo o desenvolvimento da grande motricidade. Quando a criança brinca ao ar livre, estabelece contacto e realiza atividades de exploração dos materiais aí existentes e por se sentir livre num espaço amplo, permite que a mesma desenvolva atividades que não realizaria num espaço fechado, como correr, saltar, rebolar, jogar à bola, entre outras.

Contudo, maioria das nossas instituições educativas, o espaço exterior é, de uma forma geral, pouco valorizado enquanto espaço de desenvolvimento e aprendizagens.

Nas últimas décadas temos assistido a uma alteração nos hábitos das crianças, os momentos de brincar no exterior têm sido substituídos por atividades orientadas em espaços fechados, em frente à uma televisão ou com videojogos.

Por essa razão, a equipa pedagógica do CAPP, pretende contrariar essa tendência utilizando cada vez mais o nosso espaço exterior, já que estamos conscientes de que é um local muito rico em experiências e vivências, cheio de oportunidades de exploração para as crianças e bebés.

Quanto à exploração do espaço exterior em creche, também é extremamente importante, pois é fora das salas que os bebés “conhecem” o mundo que os rodeia explorando-o com os sentidos.

É no espaço exterior que os bebés têm oportunidade de ouvir, cheirar, sentir o vento, a relva, o cimento, a areia, as pedras, os paus, as temperaturas, de verem as árvores, as folhas, as flores, as nuvens, e alterações de luminosidade.  É através destas vivências que as crianças estabelecem uma relação direta com o meio e constroem o conhecimento.

Em suma, no exterior as crianças terão a possibilidade de manipular materiais diversificados, como acima referido, de ganhar noção das possibilidades do seu corpo, subindo, descendo, rebolando, e também, de participar em atividades interação com os pares (interação social).

Vários estudos demonstram que as crianças que brincam ao ar livre, independentemente das condições meteorológicas, adoecem menos e alcançam melhores níveis de concentração e motricidade.                       

Na nossa realidade, os espaços exteriores das creches e jardins de infância, de modo geral, ainda são pouco valorizados em determinadas alturas do ano. Tal facto deve-se à mentalidade dos pais e encarregados de educação pois evocam razões tais como, roupa e calçado desadequado e medo que elas adoeçam.

Contudo, o ideal seria, não limitar as crianças a irem à rua, mas sim impulsioná-las, visto que as condições meteorológicas fazem parte do nosso quotidiano e não deviam, portanto, ser um elemento limitador das nossas atividades diárias.

Em alguns países nórdicos como a Noruega, praticam a politica de “não há mau tempo, só há mau vestuário”, salientando que é sempre boa altura para as crianças brincarem no exterior e que as condições meteorológicas não devem ser um obstáculo para que tal aconteça.

Considerando que, por várias razões, falta de tempo, ocupação profissional, medo, as novas tecnologias, comodismo dos pais, etc, etc, atualmente poucos pais podem acompanhar as brincadeiras das crianças em casa e muito menos nos espaços exteriores, e neste sentido, a nossa instituição (CAPP) pretende resgatar algumas brincadeiras do passado e incluí-las no presente visando o desenvolvimento social e cultural das nossas crianças.

 

Texto de Amélia Marques – Educadora de Infância no Pré-Escolar do Centro de Assistência Paroquial da Pampilhosa

Imagem de capa: dagon_ (pixabay.com)