“A regulamentação da lei dá reconhecimento à prática e responsabiliza os profissionais”. Palavras de António Moreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa, ao «Bairrada Informação», na manhã de 3 de março, na Mealhada, aquando de uma reunião de trabalho que envolveu outros profissionais oriundos de todo o país.

Não era o tema da reunião do passado sábado, mas o nosso jornal quis saber como António Moreira encara a finalização, no passado mês de fevereiro, da regulamentação da Lei 71/2013, que permite aos profissionais das diversas terapêuticas não convencionais – acupuntura, fitoterapia, homeopatia, medicina tradicional chinesa, naturopatia, osteopatia e quiropráxia – adquirirem a cédula profissional, bem como permitirá que, no ano lectivo 2019 / 2020, se dê início à primeira licenciatura de Medicina Tradicional Chinesa.

“Estou muito satisfeito. Esta é uma conquista de muito anos e para muitos anos”, explicou-nos o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa, garantindo que é também “uma revolução na saúde portuguesa” que beneficia, no seu todo, “a saúde pública”.

Para a aquisição da cédula de Medicina Tradicional Chinesa, ao abrigo do regime transitório, é necessário que o profissional cumpra cinco pressupostos: “Tenha habilitação literária (licenciatura em qualquer área); formação técnica em Medicina Chinesa; tempo de trabalho; formação contínua; e a mais importante a de estar a trabalhar à data de entrada em vigor da lei (outubro de 2013)”. Pressupostos que são alvo de uma avaliação e de posterior pontuação.

Mas António Moreira explica que “mais importante que ter cédula, é ter uma formação regulamentada” que, para além dos pareceres dos Ministérios da Saúde e da Educação, “será validada pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior”. “Os cursos só serão aprovados pela qualidade do corpo docente, do currículo e dos conteúdos funcionais”, acrescenta.

DSC04996Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa a posição da Ordem dos Médicos, em estar contra a licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa, não compactua com o que acontece na realidade. “Há médicos que remetem para nós doentes e nós tomamos a mesma atitude em relação à medicina convencional”, acrescentou-nos, garantindo que “há a certeza que a medicina chinesa funciona e é, por isso mesmo, que os seus profissionais a querem saber cada vez melhor, para a conseguirem explicar também”. “Nós sabemos que funciona!”, acrescenta.

António Moreira afiança que a Medicina Chinesa “trata a doença na sua causa, sintomas e previne muitas delas até”. “A Medicina Tradicional Chinesa tem um papel muito importante na modificação do estilo de vida do doente e na criação de hábitos saudáveis”, concluiu, ao nosso jornal, o dirigente.

A reunião de 3 de março teve na sua base a orientação de conteúdos formativos de uma empresa criada recentemente. “Escolhemos a Mealhada – Espaço Inovação – pela sua centralidade e pelo acolhimento da Câmara Municipal ao permitir que o façamos num dos seus espaços”, agradeceu Paula Gradim, especialista de Medicina Chinesa.

 

Mónica Sofia Lopes