Che Guevara dizia “Hasta la victoria siempre” e o mesmo apresentam, em desfile, os cento e trinta elementos do Grémio Recreativo Escola de Samba Amigos da Tijuca, provenientes de Enxofães, concelho de Cantanhede. Uma forma de se assinalar os cinquenta anos do falecimento do revolucionário dando-lhe uma perspectiva “de cor e brilho” através “de uma viagem”.

“Vamos viajar com Che Guevara pelos principais locais por onde passou e que fizeram dele um revolucionário”, começou por dizer Diana Jorge, carnavalesca da escola, pela primeira vez, referindo serem cento e trinta desfilantes divididos por sete alas, quatro destaques e um carro alegórico.

“‘A luta continua!’ foi o legado deixado por Che Guevara e com o qual fazemos uma analogia à nossa escola, que luta sempre por uma vitória no Carnaval da Mealhada”, garante Diana Jorge.

Uma luta que “dá trabalho” e que o diga Rita Ramos, presidente da direção dos Amigos da Tijuca. “Não é fácil e dá que fazer colocar uma escola na avenida. A dinâmica é muito complexa e só com a ajuda de uma equipa é que o conseguimos”, explica a dirigente, referindo que os trabalhos tiveram início em novembro passado. “O desfile é no fundo o culminar de meses de trabalho”, acrescenta a carnavalesca.

A par com o que acontece com as restantes escolas, que desfilam no Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, também a Tijuca “tem imensos elementos novos”. “Novos no mundo do samba e outros provenientes de outra escola que acabou. Para além de serem caras novas, representam mais conhecimento para nós”, explica Rita Ramos.

Conhecimentos que ambas queriam ver resultar num primeiro lugar. “Eu não entro em nada para perder. Queria ter ganho nos últimos anos. Vou querer ganhar nos próximos… Mas julgo que o mais importante é sentirmos orgulhosos com o que fazemos e apresentamos”, afirma Diana Jorge, enaltecendo “a folia da época”. «As pessoas esquecem-na um bocadinho e viram-se para a pressão dos resultados e o Carnaval deveria ser para nos divertirmos. O concurso é um bem necessário e traz-nos qualidade, mas não deve ser o foco principal!”, acrescentou ainda.

Para este “comando” feminino, “estreante” em 2017 no Carnaval do centro, esta “é uma aposta ganha”. “É completamente diferente do outro lado, no Sambódromo. A proximidade com o público é fantástica e espero que esta óptima ideia perdure por muitos anos”, disse Rita Ramos, apoiada por Diana Jorge, que aproveitou para elogiar “o trabalho espetacular feito pela direção da Associação de Carnaval da Bairrada”. “Isto é bom para a cidade e para o comércio. Não nos podemos esquecer que o Carnaval não são só os elementos que desfilam”, acrescentou.

E, portanto, para os indecisos, a dupla dá uma garantia: “As pessoas devem vir ver o nosso trabalho. É realizado de forma a apresentarmos um óptimo espectáculo e um grande momento de entretenimento…”.

 

Mónica Sofia Lopes