Tem trinta e oito anos, é natural da Antes, no concelho da Mealhada, e “uma vida” dedicada à música, com participação em vários projetos, muitos de cariz nacional. Multifacetado e autodidata, Francisco Saldanha é agora notícia pela elaboração de um álbum que contém sonoridades da “natureza bairradina”, como a Mata Nacional do Bussaco, a Fonte no Luso, o Lago do Sume, na Antes, e nem a praia de Mira escapou a este conjunto de agregação de sons, as quais se aliam também “efeitos sonoros vocais”, bem como “instrumentos musicais artesanais”.

Foi no verão passado que Francisco Saldanha, professor de música em várias escolas da região, levou um grupo de alunos a um espetáculo de Folk, em Ancas, no concelho de Anadia. “Estava lá uma banda peruana, que tocava com flauta e canas da índia e não descansei enquanto não lhes comprei uma”, declarou o músico, garantindo que, já em casa, fez várias experiências. “Fiz uma flauta com a tal cana e depois com o som de teclado, pau de chuva e espanta espíritos, fiz um video e coloquei na internet”.

A partir dali foi um passo para as centenas de visualizações. “Tive logo o contacto de uma clínica terapêutica da Mealhada que queria ter lá o meu produto musical”, continuou, garantindo a apreensão “por, nessa altura, apenas ter uma música e não um álbum”.

“Estávamos nas férias de verão, em julho, e eu desprendi-me de tudo para ‘construir’ este álbum, único em Portugal, totalmente feito por mim”, garante Francisco Saldanha, mostrando-se satisfeito “com a recolha de sonoridades reais, que vão desde sons captados no Bussaco, passando pelo som do vento e da cidade, até ao mar da praia de Mira”.

E é assim que nasce o “espiral phi”, que contém músicas “muito viradas para fins terapêuticos”. Com muitos instrumentos artesanais, de percussão e de boca, algumas músicas contaram com a participação do sobrinho de Francisco Saldanha, de apenas oito meses, de percursionistas e de uma vocalista que canta uma música em árabe. “Dentro do álbum virá também uma mandala, totalmente original, construída por mim, em que metade está pintada e a outra é para ser pintada enquanto se ouve o CD”, explica ainda o músico, enfatizando que “são duas terapias, numa só”.DSC04750

Num álbum completamente autodidacta, as próprias fotografias – desde o cenário à captação das imagens – são obra do músico. “Exceptuando as referentes ao Bussaco, que foram tiradas por Adérito Duarte, da Multi Therapies, que no fundo, e sem querer, foi quem deu o impulso para ‘me lançar’ neste conjunto de músicas”, elogiou.

E tudo indica que o álbum esteja pronto já em fevereiro, para que, posteriormente, seja preparado um concerto no Cineteatro Municipal Messias, na cidade da Mealhada. Para o autor estas músicas “dão atenção à natureza, ao relaxamento e à reflexão” e serviram “de terapia para algumas dificuldades pessoais” pelas quais passou.

De edição limitada – um milhar de exemplares -, cada CD, constituído por onze faixas musicais, tem um custo de dez euros e estará à venda na Fundação Mata do Bussaco, no Convento de Santa Cruz (após as obras) e também no Cineteatro Messias.

 

Mónica Sofia Lopes