O ator brasileiro Vítor Hugo, o Diego Ventura na telenovela “A Herdeira”, da TVI, e a atriz portuguesa Raquel Loureiro, são os reis do Carnaval da Mealhada, que se realiza nos próximos dias 11 e 13 de fevereiro, no centro da cidade, por cerca de setecentos foliões. A divulgação foi feita este sábado, em conferência de imprensa, onde os elementos diretivos da Associação de Carnaval falam em “contenção de custos”, o que levou ao reajustamento de algumas atividades do evento, onde “cai” o Carnaval Trapalhão e a Tenda noturna será mais pequena, mas de entrada gratuita. Em contrapartida, as escolas de samba terão um aumento de verba.

“Carnaval no Centro” é aposta ganha e comerciantes agradecem

2018 mantém o Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada no centro da cidade da Mealhada. Aliás, tudo aponta que isto aconteça, sempre, enquanto estiverem em vigência os atuais órgãos diretivos. “É uma aposta ganha!”, garante Alexandre Oliveira, presidente da direção da Associação de Carnaval da Bairrada (A.C.B.).

Luís Moreira, também da direção, explica que “faz sentido as famílias andarem no centro da cidade e assim recordarem a origem do Carnaval. No final dos corsos (de 2017), as pessoas continuaram pelas ruas…”. “Foi um ‘sonho’ tornado realidade, onde devolvemos as purpurinas e as serpentinas ao Carnaval da Mealhada”, disse o dirigente.

Para além disso, garantem que “a economia local retirou facturação acrescida com esta alteração e os próprios empresários da restauração transmitiram-nos que nos dias dos corsos os clientes queriam os serviços apressados para ‘chegarem a horas’ ao desfile”.

Rei é brasileiro e ator na TVI

Manda a tradição que o “rei do Carnaval seja brasileiro” e assim o cumprem, com a presença do ator Vítor Hugo, que se faz acompanhar da “portuguesa” Raquel Loureiro. “Estamos a cumprir quarenta Carnavais e o nosso Rei está muito contente por fazer parte deste evento”, explicou também Luís Moreira, afirmando que Raquel Loureiro “já é da casa”, tendo sido a responsável pela apresentação de um Festival de Samba.

Os dirigentes lamentaram ainda que a informação dos reis tenha sido divulgado por um jornal online da região, na noite anterior há da apresentação oficial. “Houve fuga de informação, mas que já está identificada”, referiu Alexandre Oliveira.

Terça de chuva em 2017 merecia cláusula de 24 mil euros? Marqueiro diz que não.

Com o habitual apoio camarário, de sessenta mil euros, para o evento, os elementos diretivos do Carnaval não escondem que contavam com a verba extraordinária de vinte e quatro mil euros, prevista no regulamento assinado por ambas as partes, “uma vez que choveu na terça-feira de Carnaval (em 2017)”. “Houve vários diretos de canais televisivos, ‘debaixo’ de chuva, e que sabemos que condicionou quem estivesse na dúvida em vir”, explica Alexandre Oliveira, enfatizando que “quando decidiram que o corso ia arrancar, também muito impulsionados pelas próprias escolas de samba, tínhamos trezentas entradas no recinto”.

Sobre este assunto, ao «Bairrada Informação», Rui Marqueiro, presidente da Câmara, afirma “não ter havido razão nenhuma para acionar a cláusula dos vinte e quatro mil euros, visto que as portas do recinto foram ‘fechadas’ e houve receita da venda de bastantes bilhetes, explanada no relatório de Contas”. “É preciso dizer-se que a autarquia não disponibiliza apenas um subsídio de sessenta mil euros, deixa que a cidade esteja encerrada e que a receita da venda dos espaços dos comerciantes ambulantes seja para a A.C.B, apoia o evento com material e ainda com dias de trabalho dos funcionários camarários”, acrescentou o edil.

Entradas gratuitas na Tenda noturna, todos os dias, e aumento do apoio às escolas

Mas mesmo em modo “contenção”, os dirigentes da A.C.B, garantem que haverá vantagens, que incluem o público, pois as entradas mantém-se nos cinco euros; as quatro escolas, “cujo valor atribuído sofrerá um aumento”; e a Tenda, destinada aos espetáculos noturnos, que, “apesar de mais pequena, será de entrada gratuita nas cinco noites”.

“Carnaval Trapalhão” não se realiza em 2018

Em detrimento disto, deixa de ser realizado o Carnaval Trapalhão, um desfile “de brincadeira”, que se realizou nos últimos anos, sempre na semana antecedente à do Carnaval. “Tínhamos que cortar em algumas coisas e não voltar a ter um orçamento como o de 2017, que rondou os cento e oitenta mil euros de despesa”, explicaram.

Rede de Cidades de Carnaval “não diz nada” à A.C.B

Questionados também pelo «Bairrada Informação» sobre a criação de uma Rede de Cidades de Carnaval da Região Centro, onde a Mealhada está já inserida, após assinatura de um protocolo com Estarreja, Figueira da Foz, Ovar e Torres Vedras, Alexandre Oliveira é peremtório: “Não tenho conhecimento de nada”. “Uma Rede de Carnavais a nós não nos diz rigorosamente nada…”, acrescenta.

Recorde-se que, em novembro de 2017, ao nosso jornal, Rui Marqueiro explicou que esta “junção” tem por base “qualificar a oferta turística e atrair turistas, internacionais, aos seus territórios”, podendo com isso vir arrecadar apoio do Centro 2020. “Um município sozinho não consegue, muitos juntos, é bem diferente…”, explicou na altura.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes