Desde cedo, o bebé é capaz de realizar a sucção na mama, na tetina, no dedo ou na chupeta. Os movimentos envolvidos na tarefa de sucção permitem o desenvolvimento dos músculos orais e ajudam no crescimento da face.

O uso da chupeta pode contribuir para a qualidade de vida da criança, uma vez que a sucção realizada se torna calmante, fazendo com que ela sinta prazer e se desenvolva emocionalmente. A verdade, é que a chupeta é muitas vezes considerada um refúgio para os pais e para os bebés. No entanto, é necessário ter cuidado com o seu uso, de modo a este ser adequado.

A chupeta deve ser retirada até aos 2 anos, uma vez que é por volta desta idade que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.

A continuidade prolongada do uso da chupeta pode trazer malefícios para a vida da criança, como se pode verificar nas seguintes consequências:

  • Fisiologia: Causa alterações de postura e de tónus dos músculos da cavidade oral, tornando-os mais fracos e hipofuncionais.
  • Amamentação: Uma vez que existe a alteração de estruturas, favorece o desmame precoce.
  • Dentição: Promove um mau desenvolvimento dentário, podendo dar origem a alterações na oclusão dentária como as mordidas abertas.
  • Fala: Com as alterações dentárias, bem como das características dos músculos orofaciais que estão envolvidos na mobilidade das estruturas (língua, lábios, …), a criança vai ter dificuldade na produção de sons.
  • Mastigação: Mais uma vez, devido às alterações dentárias e dos músculos orofaciais, a mastigação vai ser prejudicada, uma vez que são estruturas necessárias para estas tarefas.
  • Respiração: Altera o modo natural de respirar através do nariz, sendo substituído pela respiração oral (pela boca).

 

Todos estes aspetos vão afetar negativamente a qualidade de vida da criança, e desta forma é necessário dar importância a esta questão e estar atento às características faciais, à frequência, à duração e à intensidade deste vício.

 

Ana Carina Santos

Terapeuta da Fala