Desde a passada terça-feira, dia 2 de janeiro, quem se desloca ao serviço dos CTT na Pampilhosa, no concelho da Mealhada, “esbarra” num aviso que sugere aos clientes que se desloquem à Papelaria N & G, onde os Correios começaram a funcionar a partir desta semana. Para os utilizadores basta apenas atravessarem para o outro lado da estrada e ainda têm a vantagem de puderem ser atendidos em horário mais alargado. Para a Delegação no Concelho da Mealhada da Cruz Vermelha Portuguesa há o lamento de não conseguirem continuar a prestar este serviço à população, pelos encargos financeiros que isso acarretava mensalmente.

DSC04355O serviço de CTT na Pampilhosa funcionou, durante quatro anos e meio, pelas “mãos” da Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa, contudo, há cerca de um ano que era público a insustentabilidade do Posto. E isto porque, segundo Vítor Soares, presidente da Delegação na Mealhada da Cruz Vermelha, “a faturação ia diretamente para os Correios de Portugal, que dava um subsídio à Cruz Vermelha pela manutenção do serviço”.

Um subsídio que, para além, “de não suportar os custos que tínhamos com o vencimento de uma funcionária, não tinha em conta as despesas de água, luz, comunicações e seguros contra furto e incêndios”, explicou-nos Vítor Soares.

O presidente da Delegação na Mealhada da Cruz Vermelha refere ter suportado “os encargos até ao limite”, por saber que estava em causa “uma franja da população que necessitava deste serviços para, nomeadamente, levantamento dos vales de reforma”. “Prestámos um serviço social durante muito tempo e, desde março passado, que andávamos em conversações com os Correios de Portugal, mas nunca sentimos que havia disponibilidade para uma possível alternativa / solução e, para nós, em termos económicos era insustentável”, lamentou-nos Vítor Soares.

Fonte dos CTT, e segundo o dirigente da Cruz Vermelha, “a qualidade do serviço na Pampilhosa era reconhecida, bem como a faturação, onde estávamos sempre no lote dos dez primeiros, de todo o distrito, que conta com cerca de uma centena”.

“Mesmo tendo vontade de prosseguir com este serviço social, não podia, enquanto presidente, permitir que este prejuízo colocasse em causa o propósito de outros para os quais a Cruz Vermelha serve na sua essência”, disse ainda.

DSC04723Para os utilizadores dos CTT na Pampilhosa, a mudança quase não se nota, uma vez que o serviço mudou para «o outro lado da rua», mais precisamente para a Papelaria N & G, continuando, assim, na Rua Doutor Abel da Silva Lindo, no centro da Pampilhosa. De segunda a sexta-feira, o horário é das 9h às 13 horas e das 15h às 19 horas e, aos sábados e domingos, das 9h às 13 horas.

“Apercebi-me que os CTT iam encerrar e achei que era importante tanto para a Papelaria como para a população”, explicou a proprietária do estabelecimento, Fernanda Duarte, referindo que ganha “uma comissão por cada atendimento nos Correios, mediante o serviço pretendido”.

Aquando da deslocação do «Bairrada Informação», ao “novo” espaço, encontrámos Mário Santos, da Marmeleira, pertencente a Souselas, mas que, contudo, usufrui dos serviços de correios na Pampilhosa. “Vi que a porta dos CTT estava encerrada, perguntei a quem vi passar o que se passava e indicaram-me para aqui”, explicou-nos, concluindo que utiliza o serviço “para pagamento da água e levantamento do vale da reforma”.

“Reverta-se a privatização nos CTT”, diz Rui Marqueiro

O assunto foi também levado à última Assembleia Municipal da Mealhada por João Louceiro, deputado eleito pelo Partido Comunista Português, que questionou a Câmara “se podia fazer alguma coisa para reverter a situação?”.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara, falou no geral dos serviços dos CTT, dizendo: “Reverta-se a privatização, porque um serviço, que dava lucro, está agora miserável”.

“Nunca os CTT pediram a opinião da autarquia, caso contrário, a Câmara até teria uma sugestão para lhes dar”, concluiu.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes