Falta de investimento em Zonas Industriais e de apoio social a famílias carenciadas e, por outro lado, um grande investimento na área do desporto foram algumas das justificações dadas pelos deputados municipais em Anadia, das bancadas do PSD e do CDS, para votarem contra e utilizarem da abstenção, o Orçamento para 2018 no valor de  21.250.200 euros. Rui Bastos, da  CDU, também votou contra. Na sessão, que se realizou na tarde de 21 de dezembro, Teresa Cardoso, presidente da autarquia, adiantou que “em 2018, o Orçamento Participativo (que até agora só abrangeu o setor jovem) será alargado a toda a população”; bem como “brevemente estará em discussão pública um regulamento de incentivo à natalidade”.

Numa sessão longa, foi o ponto da ordem de trabalhos que se focava na votação do Orçamento para 2018 que deu margem para que as bancadas dialogassem entre si, com algumas intervenções a “subirem de tom”. Na hora de votar, o PSD dividiu-se com uns a votarem contra e outros a usarem da abstenção. Sandra Marisa Queiroz, do CDS, também se absteve, e Rui Bastos, da CDU, votou contra.

O Orçamento, aprovado por maioria, com vinte e dois votos a favor, mereceu os elogios da bancada do Movimento Independente Anadia Primeiro. Luís Santos apresentou vários motivos para os votos favoráveis, alegando ser este “um Orçamento em crescimento face a 2017”; munido de “fontes de financiamento, nomeadamente, de candidaturas ao Portugal 2020”; onde está patente “uma diminuição do endividamento bancário” e um “aumento de verbas na inovação e competitividade”.

Por outro lado, continua o deputado municipal eleito pelo M.I.A.P., “estes documentos mantêm o respeito pelo poder local, contemplando as Juntas de Freguesia com uma verba de quinhentos e oitenta e cinco mil euros (ao todo), valor que sofreu um aumento face ao ano de 2017”.

Sandra Marisa Queiroz, do CDS, absteve-se e, apesar de dizer “apreciar o investimento nos setores da Educação, rede de águas e apoio às Juntas de Freguesia”, considera, contudo, que na área do Desporto, “apesar de importante, o valor da rubrica é elevado”.

O PSD, pela voz de João Gaspar, justificou os votos da bancada que representa. “As Opções do Plano afastam-nos deste Orçamento, principalmente no setor da Juventude”, disse o deputado municipal, que continuou: “As abstenções são uma forma de darmos uma hipótese ao executivo de cumprir uma grande parte das coisas que se falou aqui”.

Já antes, e da mesma bancada, Vítor Tavares lamentou “a falta de investimento nas Zonas Industriais, tendo em conta que o Orçamento Municipal sofreu um aumento. Trezentos e quarenta e um mil euros para esta rubrica é, manifestamente, pouco”. Teresa Cardoso explicou que “os processos demoram. Temos que adquirir terrenos e estamos já a fazê-lo, nomeadamente, para o alargamento da Zona Industrial da Amoreira da Gândara”. “É um processo moroso, até porque as parcelas de cada terreno são pequenas e é preciso muito trabalho para as conseguir”, acrescentou ainda. DSC04696

Tiago Castelo Branco garantiu “haver, em Anadia, famílias a necessitarem de realojamento por viverem em condições deploráveis”, levando Luís Santos, do M.I.A.P., a desafiar o deputado “a levar (ao órgão) a lista ‘das largas de dezenas de pessoas’ (citando o deputado social-democrata) que estão nesse estado de degradação”. Já Manuel Carvalho, da mesma bancada, sugeriu que “esses casos sejam denunciados à Rede Social de Anadia”. “Participe-os!”, disse.

Para breve, e segundo Teresa Cardoso, estará “um regulamento de incentivo à Natalidade”. “O Município não esquece as crianças e, por isso, tem já disponível um conjunto de medidas, falta-nos este apoio aos bebés, que está para breve”, concluiu a edil.

 

Mónica Sofia Lopes