Os produtores de espumante da Bairrada estão a estudar de que forma poderão internacionalizar os seus produtos. A “novidade” foi dada, na manhã de 24 de novembro, por Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, no Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia, aquando da conferência, promovida pelo jornal Vida Económica, “Vinhos da Bairrada: os desafios do crescimento na produção de espumante de qualidade”.

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A palavra crescimento foi várias vezes mencionada no discurso do dirigente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, que garante que “houve um aumento, especialmente, nos últimos dois anos, da comercialização do vinho, que se faz com menos tempo de estágio”.

Ao nível da certificação, Pedro Soares enaltece os números que “em quatro anos, passaram de novecentas mil garrafas para dois milhões em 2017”. “Temos que pensar que a Bairrada tem quarenta anos de demarcação e se olharmos para o ‘vizinho’ Dão falamos em mais de cem, contudo, sabemos que é aqui que estão setenta por cento dos espumantes nacionais”, acrescentou o dirigente, enaltecendo o facto “de a Bairrada ser das regiões do país onde o preço médio de garrafa tem vindo a crescer”.

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Para Pedro Soares para que “o crescimento seja sustentável temos que saber o que queremos fazer na região, principalmente se quisermos exportar”. “E, por isso, muito brevemente, as empresas da Comissão vão ser contactadas para preencherem um inquérito de uma consultora que nos fará perceber a possibilidade de investirmos em dois mercados internacionais”, disse o presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, adiantando que vai ser também iniciado, entre outros, “um projeto de catalogação de solos”.

No primeiro painel, sobre o tema “Mercados e Internacionalização”, a que o nosso jornal assistiu, Luís Pato, da Adega Luís Pato, falou acerca do “Cenário de Exportação dos Vinhos Portugueses. Oportunidades e Desafios”. “Temos que vender a diferença! Toda a região vinícola de Portugal vende menos que apenas uma de França”, começou por dizer, apontando, através de uma apresentação informática, vários fatores para o sucesso sobre este tema.

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Acerca do futuro da Bairrada, Luís Pato diz que o foco tem que estar “nos vinhos brancos, espumantes e tintos de casta Baga” e que “falta uma entidade no acompanhamento do desenvolvimento das melhorias técnicas do espumante da Bairrada”.

Já sobre a “estratégia para o desenvolvimento do espumante da Bairrada”, o responsável pela Adega Luís Pato refere que é precisa “abertura do espírito dos agentes económicos”, bem como, uma “concentração de objetivos estratégicos dos agentes económicos regionais”. Para além disso, Luís Pato considera que tem ser feita uma “elaboração de vinhos experimentais que não se submetam à cultura de cariz clássico dos agentes de controlo, desde que sejam produtos que respondam aos certificados analíticos vigentes”.

Para além da temática dos “Mercados e Internacionalização”, o encontro debateu “Tecnologia e Inovação” e apresentou “Os Casos de Sucesso da Bairrada”, onde estiveram Francisco Antunes, director de Enologia da Aliança Vinhos de Portugal; Vítor Damião, presidente da Adega de Cantanhede; e Mário Sérgio Nuno, produtor da Quinta das Bágeiras.

Maria Fernão-Pires, do Instituto da Vinha e do Vinho, abordou “O Valor da Certificação dos Produtos na sua Internacionalização” e João Simões, do grupo de investigação Biocant, em Cantanhede, aprofundou as questões da “Vinha, Vinho e Inovação”, no âmbito do painel “Tecnologia e Inovação”.

 

Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura