Pedro Marques, Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, disse, na manhã de 28 de outubro, em pleno troço da linha ferroviária, que liga o Luso (concelho da Mealhada) a Trezói (município de Mortágua), que “o investimento na ferrovia vai acelerar muito, já no próximo ano, atingindo os duzentos e setenta milhões de euros” e que este “será um investimento público significativo”, onde, no caso da Linha da Beira Alta, até 2021, “se vai investir mais de seiscentos milhões de euros”.

A renovação integral de via e a estabilização de taludes, no troço entre a bifurcação do Luso e o túnel de Trezói, foi visitada pelo Ministro, onde para além de jornalistas, estiveram técnicos e dirigentes da Infraestruturas de Portugal (IP). A visita aconteceu no dia em que se assinalou “os cento e sessenta e um anos da inauguração do caminho ferroviário em Portugal”, relembrou António Viana, diretor de gestão da Rede Ferroviária da IP.

A obra, que representa um investimento global de 5,8 milhões de euros, prevê-se que esteja concluída no final deste ano, altura em que se procederá ao início dos procedimentos para as obras no troço entre a Covilhã e a Guarda, encerrado há uma década, e que terá um investimento de noventa milhões de euros.

Será depois esta a linha que albergará todo o tráfego, quando a obra do Corredor Internacional Norte tiver início. “Vai ter um impacto brutal, bem como um esforço impressionante, mas o país precisa deste investimento há muitos anos”, garante.

Os objetivos para a requalificação da Linha da Beira Alta são claros, segundo Carlos Fernandes, vice-presidente da IP: “Aumento da velocidade dos comboios e consequentemente a diminuição do percurso; capacidade para comboios de grandes mercadorias; remodelação de um conjunto de estações (onde se inclui a da Pampilhosa*) e de apeadeiros; eliminação de todas as passagens de nível; e um novo sistema de sinalização já a cumprir com as normas europeias”.

“Estamos a falar de uma linha com duzentos quilómetros, com muita montanha e cento e dez ‘obras de arte’, onde se incluem vinte e oito túneis”, disse António Viana, explicando que a intervenção, entre a bifurcação do Luso e a boca de saída do Túnel de Trezói, “é de extrema complexidade”. “Os trabalhos acontecem de madrugada, das 4h 35m às 8h 35m; as máquinas têm que vir diariamente da Pampilhosa até aqui, ou seja, de uma distância de quinze quilómetros e em que só podem circular a trinta quilómetros por hora, portanto, só no transporte das máquinas perde-se hora e meia; o que faz com que na prática, de segunda a sexta-feira, os trabalhadores só tenham duas horas, por dia, para intervir na linha, para que isto não cause transtorno na circulação”, explicou  ainda o diretor de gestão da Rede Ferroviária da IP, garantindo que “aos sábados e domingos o tempo de trabalho é maior e é feito durante o dia”.

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E Pedro Marques “aplaude” o esforço. “As condições são muito difíceis para a concretização desta obra e, por isso, não me canso de elogiar o esforço de planeamento para que possamos dar mais algumas décadas de vida a toda a Linha da Beira Alta. Estamos também aqui hoje para dar empenho e estímulo a estas equipas”, elogiou o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, recordando que esta intervenção, a nível nacional, só é possível com o plano de investimentos Ferrovia 2020, que têm disponíveis mais de dois mil milhões de euros, o que contribuirá “para colmatar dois terços das obras, sendo o restante valor proveniente do Orçamento de Estado”.

Verba que permitirá a criação de novas linhas, como é o caso da de Évora a Elvas. “Esta linha é essencial na rede portuguesa e internacional, até porque, não nos podemos esquecer, que só quatro por cento das nossas mercadorias são transportadas por ferrovia”, garantiu.

*Ler http://www.bairradainformacao.pt/2017/10/28/estacao-da-pampilhosa-vai-ser-requalificada/

 

Com galerias de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/