Chama-se Luiz Neves Martins, tem sessenta e oito anos, é natural da Pampilhosa (concelho da Mealhada), onde reside, e com fósforos, pedaços de madeira fina e a ajuda de um x-ato faz autênticas obras de arte. Símbolos de clubes de futebol, relógios de parede, edifícios emblemáticos da vila onde reside e até da Torre de Belém, em Lisboa, não há nada que escape a este pampilhosense que apenas diz “querer entreter o tempo”.

DSC04357Não há uma única divisão na casa de Luiz Martins que não tenha uma “obra de arte” feita por si, com fósforos. Até o “tic-tac” do relógio na sala, onde recebeu o «Bairrada Informação», é feito deste material e possuidor de detalhes minuciosos. A última obra – o quartel dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa – foi entregue à corporação, no dia 30 de setembro, aquando das comemorações dos noventa e um anos da Associação. Foi lá que tivemos o primeiro contacto com o “senhor Luiz Martins”, como é conhecido.

“Não é a primeira peça que ofereço e quando o faço só peço que as preservem porque entrego com muita vontade e alegria, mas dá-me muito trabalho”, confessou-nos Luiz Martins que começou a fazer estas peças “por brincadeira, aos quarenta anos”. “Na altura, comecei a fazer um barco, mas desisti e nem cheguei a concluir”, lamenta, garantindo, contudo, que após “ter partido um pé e ficado de baixa, voltou a ‘pegar’ neste trabalho”.

Já lá vão duas décadas e, desde então, Luiz Martins já “construiu” o Chalet Suisso, a Igreja Paroquial, a Casa Rural Quinhentista, o quartel dos Bombeiros, o Coreto e o designado de “Largo do Garoto”. Tudo isto na Pampilhosa. Quadros e relógios são uma constante. Mas a obra que mais lhe “deu que fazer” foi a da Torre de Belém, onde demorou cerca de ano e meio. “E nunca lá fui. Fiz tudo com base em fotografias que um vizinho tirou – de vários lados, formatos e cores – e me disponibilizou…. A partir daí, fiz o que está aqui”, disse ao «Bairrada Informação».

Reformado das profissões de serralheiro, mecânico e gruista, Luiz Martins nunca pensou em vender os trabalhos que agora faz. “Faço tudo isto com a intenção de estar entretido”, explicou-nos, confessando que “depois de se reformar, e principalmente de Inverno, vou para a horta, mas às 10 horas já estou em casa…. Tive que arranjar algo que me desse que fazer”.

Há três anos que expõe na Pampiarte, uma mostra dedicada aos produtos e artesanato da Pampilhosa, e afirma que quando lá colocou a Igreja e o Chalet Suisso “a afluência ao seu stand foi enorme”.

Trabalhos que demoram meses – “nunca menos de três, quatro para os trabalhos mais pequenos” – e que o “obriga”, por vezes, a estar “colado na cadeira durante seis horas seguidas”. “Só no rendilhado do telhado do Chalet Suisso demorei meses. Fiz várias tentativas”, enfatiza Luiz Martins, que garante que apenas é precisa paciência e algum investimento quando tem que comprar a madeira para os “arranjos finais”. “E quando as coisas não correm bem, fico aborrecido e, vastas vezes, recorro à minha esposa para me dar uma opinião”, diz Luiz Martins, casado e pai de dois filhos.DSC04363

A Torre de Belém e o Chalet Suisso são, para o “senhor Luiz”, as “meninas dos seus olhos”, mas para este pampilhosense fazer réplicas de locais da freguesia onde mora “é o mais importante”. “O sentimento é grande quando trabalhamos naquilo que é ‘nosso’”, afirma Luiz Martins, que já pensa no trabalho que segue: “O edifício do (palacete) Vila Rosa, que se situa no centro da Pampilhosa”.