Luiz Taveira tem sessenta anos e uma paixão imensa por columbofilia. É na sua casa, na Catraia Norte, freguesia do Luso, que cuida de cento e setenta pombos. Um “vício” ao qual dedica muitas horas, diariamente; muitos treinos semanalmente para os pombos de competição; e que lhe tira até, imagine-se, tempo para conseguir ir de férias. Na época passada, pela União Columbófila do Cértima (Anadia), sagrou-se Campeão Nacional de Meio Fundo, onde a “equipa” de pombos teve que percorrer de trezentos a quinhentos quilómetros, desde o ponto em que foram largados até ao regresso a casa.

Em 1980, Luiz Taveira tinha seis pombos e recorda-se “da enorme quantidade que havia de columbófilos no Luso”. “Todos, nessa altura, concorriam pela Columbofilia Termas de Luso. Tudo era diferente… quando os pombos chegavam ao destino tínhamos que ir a correr levá-los ao comprovador, um relógio manual. As anilhas eram de borracha e não eletrónicas como hoje….”, recorda Luiz Taveira que, por motivos pessoais, aos vinte e poucos anos deixou a modalidade, tendo, contudo, “mantido o contacto com os amigos que continuaram o percurso”.

Regressa em 2009 às competições, pelo Grupo Columbófilo da Mealhada, tendo recenseado na altura cerca de setenta pombos. “Começou a correr muito bem e ganhei alguns títulos, tais como, anilhas de ouro e de prata”, confessou ao «Bairrada Informação», garantindo que foi também presidente do Grupo Columbófilo da Bairrada (Anadia).DSC04223

Lusense tem museu de títulos de competição em casa

Em 2017, e por um outro clube de Anadia, Luiz Taveira, foi campeão nacional de Meio Fundo; vice campeão do setor 6 de Meio Fundo; campeão geral do Cértima; Campeão de Meio Fundo; vice campeão de Velocidade; campeão de Borrachos; e vice campeão de Fundo. Ganhou ainda cinco concursos, três deles distritais, onde arrecadou anilhas de ouro, prata e bronze.

Títulos que Luiz Taveira garante só serem possíveis com o apoio e êxito que tem a Associação de Columbofilia Distrital de Aveiro, bem como “do meu Mestre Manuel Puga”. “As suas dicas, de há uns anos para cá, têm ajudado muito o meu percurso desportivo”, elogia, mostrando-nos um “museu de prémios” que tem num espaço da sua habitação.

“Muita mão de obra” na preparação física dos pombos

Mas como se ensina um pombo a regressar a casa estando a quinhentos quilómetros do local? E como se processa toda a sua preparação física? Perguntas colocadas pelo «Bairrada Informação», às quais Luiz Taveira não se coíbe de afirmar: “Está aqui muita mão de obra”.

Um trabalho árduo e diário que começa logo pela muda (mudança do pelo). “Há que dar alimentos que ajudem nisso, tais como, beterraba vermelha, alho, cenoura, maçã, cebola e folhas de couve altas”, começou por explicar Luiz Taveira, enquanto nos mostra o seu pombal e se prepara para dar um dos banhos, de dois semanais, aos seus pombos.DSC04237

“A ração tem que ser Mutine – Plus e dou-lhes muito vinagre de cidra de maçã a areias do rio, que eles gostam muito de comer”, continua, explicando que o trabalho da muda começa em setembro e vai até novembro, dezembro, “altura em que começo a treiná-los e a avaliar o desempenho desportivo de cada um”.

“Ao início quando os solto deixou-os andar dez minutos por dia, depois aumento para quinze e por aí fora. Quando começam a ter mais à vontade deixo-os andar duas vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde, durante vinte minutos de cada vez. Quando os pombos já andam aqui à volta cerca de uma hora, posso começar a treiná-los”, refere Luiz Taveira, explicando que o passo seguinte é colocá-los numa cesta e ir deixá-los a vinte quilómetros do pombal para regressarem”.

“A partir daqui vejo quais são os melhores pombos, aqueles que vêm sempre na linha da frente”, afirma este “treinador” que confirma que, a partir deste momento, a ração também é a de competição: “Champion Plus, Gerry Plus e Deporativa Plus”.

Dos cento e setenta pombos, apenas vinte e cinco são escolhidos para a equipa principal das competições.

Ninguém é columbófilo sem sacrifício de tempo”

“Ninguém é columbófilo sem sacrifício de tempo. Antes de ir trabalhar, no mínimo dos mínimos, dedico duas horas e o mesmo acontece à tarde, quando chego do trabalho”, garante Luiz Taveira, afirmando que aos fins de semana o trabalho é a dobrar: “Dedico-me também à limpeza dos pombais”.

Férias não existem para este assumido “apaixonado pelo seu pombal”. “Quando vou visitar a minha filha ao Luxemburgo, no máximo só vou quatro dias e tem que ser numa altura em que os pombos não precisem de muita atenção”, afirma Luiz Taveira, confessando: “Estou sempre a pensar em pombos, nos meus pombos…”.