Remonta a fevereiro deste ano que Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, recebeu uma “denúncia anónima”, alegadamente sobre extravio de bens da Loja Social – Roda Viva -, por parte de uma colaboradora afeta ao serviço. Na altura, o edil fez participação da situação ao Ministério Público, à Segurança Social e “abriu” ainda um processo de sindicância (averiguação interna) que, tendo em conta o conteúdo da “queixa abstrata e inconclusiva” e uma vez que ninguém apresentou queixa no período indicado nos editais, após a abertura do processo, não faz prova do que a denúncia acusava.

O assunto foi levado a reunião de Câmara, na manhã de 18 de setembro, onde a responsável pela averiguação interna prestou esclarecimentos ao executivo camarário. “Logo em março, a Segurança Social disse-nos não ter competência para analisar a situação e eu, cumprindo o que a lei determina, publiquei editais em jornais, no site da Câmara e em lugares de estilo para que pudessem apresentar queixa até dia 26 de abril (passado), o que nunca aconteceu”, continuou, afirmando que “qualquer pessoa que seja séria e queira apresentar uma queixa séria, fá-lo, sem problema, apresentando factos concretos”.

Apesar de poder logo dar por encerrado o caso, a responsável pelo processo de averiguação quis “perceber o funcionamento da Loja” e concluiu que: “A loja está bem organizada, com uma parte aberta ao público e outra de armazém; as roupas são etiquetadas com referências e os registos informatizados; cada pessoa que é abrangida pelo espaço está identificada e tem uma ficha, para que a resposta dada seja apenas às necessidades proeminentes de cada família”.

As entradas de artigos podem ser identificadas com o nome ou através de apenas um número, se o dador assim entender. E é no registo de entradas que, muitas vezes, é feito por uma só pessoa, que pode haver alguma fragilidade no processo. Uma fragilidade, questionada por Hugo Alves Silva, da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, e à qual Arminda Martins, vereadora na autarquia e responsável pelo pelouro da Acção Social, minimiza, garantindo que “não faz sentido ter duas funcionárias, a tempo inteiro, naquele espaço” e que, a ser assim, “existem, então, mais serviços com fragilidade”.DSC04213

“A Loja é um caso de sucesso a nível nacional e quando cheguei a esta casa, não tinha qualquer tipo de controlo. O processo de entrada e distribuição era feito pela boa vontade de voluntários, o que, pela dimensão do espaço, já não podia acontecer”, explicou Arminda Martins, referindo ainda que “os bens deixados nos contentores, junto à Loja Social, são recolhidos sempre por mais do que uma pessoa e, quando há artigos em mau estado, há uma empresa que recolhe para reciclar e paga um valor por tonelada”. “Há, inclusive, pessoas que deixam bens estragados sabendo a contrapartida que a Loja terá com isso”, enfatizou.

A sindicante propôs, assim, o arquivamento dos autos por não ter sido “detetada qualquer irregularidade que ponha em causa o funcionamento da Loja Social”.