António Rochette, Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra esteve na Mealhada, no dia 12 de setembro, para apresentar o Plano Estratégico para a Educação no Município da Mealhada, do qual é autor, e que, segundo comunicado da autarquia, está já em consulta pública, durante trinta dias. Um plano que diz “não estar terminado”, “onde todos contam”, que incentiva “a educação fora das salas de aulas” e “onde também se incluem os alunos que não querem prosseguir estudos”.

“Este documento é de todos, nunca estará fechado e terá sempre acertos e novas propostas”, declarou António Rochette, sobre um “volume” de noventa páginas, que “foi um projeto muito participado e participativo” e que demorou um ano a ficar pronto a ser apresentado.DSC04155

Para o autor do Plano Estratégico para a Educação no Município da Mealhada, “quando se fala de Educação faz-se logo uma associação à escola e às suas quatro paredes, mas o nosso trabalho vem demonstrar que o grande objetivo da Educação é, neste caso, o cidadão da Mealhada”.

Um trabalho que incide nas áreas da Educação, Segurança, Cultura, Social e Saúde que, relembra António Rochette, “no próximo ano, serão da competência das autarquias”. “Com isto queremos criar sinergias para que, no final, este documento possa significar realização profissional, qualidade de vida e cidadania”, disse.

Mas para este Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra “a Educação tem que sair também da escola”. “Porque razão é que a Mata do Bussaco não é uma sala de aula? O Museu Militar pode muito bem ser utilizado nas aulas de História quando se falar nas invasões francesas”, referiu, garantindo: “Eu prefiro que um aluno meu saiba a vegetação que tem ao pé de sua casa, do que todas as que estão na Amazónia”.

António Rochette disse ainda que, por exemplo,  o Agrupamento de Escolas da Mealhada, alunos, docentes, não docentes, encarregados de educação, Câmara e Instituições Particulares de Solidariedade Social devem trabalhar em parceria com o tecido empresarial, Fundação Bussaco, Guarda Nacional Republicana, Centro de Saúde, Hospital, entidades culturais, recreativas, etc.

“A nossa principal missão é que o município seja cada vez mais qualificado e assim permita um maior desenvolvimento económico, social, …”, enfatiza, explicando que os quatro eixos estratégicos do trabalho são: “planeamento e gestão de recursos educativos; sucesso escolar; educação permanente, cultura e cidadania”; e a “qualificação, inovação e competitividade”.

E acerca do sucesso escolar, o autor do Plano garante não referir-se “ao valor das notas”. “Temos que pensar também naquele aluno que não pretende ir para a Universidade e em espaços para aqueles que não querem estudar, porque não se revêm na escola”, garantiu ainda.

António Rochette lamenta a fraca adesão de respostas, aos inquéritos enviados, por parte das empresas, mas Nuno Canilho, diretor geral da Escola Profissional da Mealhada nos últimos quatro anos letivos, referiu que, “e por experiência da escola, as empresas têm dificuldade em saber que necessidades vão ter dali a três anos (duração de um curso)”.

Hoje, 14 de setembro, António Rochette regressa à Mealhada, à E.P.V.L., pelas 18h 30m, para apresentar o Plano Estratégico Educativo Municipal para a Educação Especial, onde estão já referenciados setenta e seis alunos. Um Plano que, segundo Guilherme Duarte, vice-presidente da Câmara, “só dois municípios da Comunidade Intermunicipal – Região de Coimbra apostaram nele. É fundamental e muito necessário”.