“A zona do Bussaco tem um património muito interessante para que se possa explorar o turismo histórico – militar nacional”, declarou Pedro Casimiro, responsável pelo Grupo de Recriação Histórica de Almeida, aquando da conferência de imprensa das comemorações dos 207 anos da Batalha do Bussaco que vão ser assinalados, durante todo o mês de setembro, numa ação intermunicipal que junta os Municípios da Mealhada, Mortágua e Penacova. Pelo terceiro ano consecutivo haverá um passeio noturno encenado, sobre “as vésperas da Batalha”, que está sujeito a inscrições, e dar-se-á a abertura de um Centro Interpretativo, sobre a Batalha do Bussaco, em Mortágua, cujo investimento “rondou os trezentos mil euros”.

“Nós, em Almeida, estamos a ver já resultados do trabalho de uma década, que pode ser uma fonte de riqueza para uma região”, disse, na conferência que se realizou na manhã de 11 de setembro, no Museu Militar do Bussaco, Pedro Casimiro, garantindo que, “já no próximo ano, vai realizar-se a primeira cimeira de Turismo Militar, em Elvas”.

Sobre o Bussaco, o responsável pelo Grupo de Recriação Histórica de Almeida não tem dúvidas das potencialidades turísticas: “Aqui, temos património cultural, ambiental, gastronómico, militar,… O Bussaco tem um património único. Claro que o turismo militar não é um turismo de massas, pede rigor e uma linha de condução, mas nós enquanto recriadores de história queremos servir de pólo à atração turística”.

Nos 207 anos da Batalha do Bussaco, Mortágua abre Centro Interpretativo

A pensar nisso, José Júlio Norte, presidente da Câmara de Mortágua, investiu “de duzentos e cinquenta a trezentos mil euros” num Centro Interpretativo, intitulado “Mortágua na Batalha do Bussaco”, que diz só ter sido possível “com a boa vontade e empenhamento do Exército”. “É num espaço, que já existia (na Rua Dr. João Lopes de Morais), que agora tem material da época, muita interactividade e uma sala de projecção com a recriação da Batalha. Aqui (no Museu Militar) temos os objetos e lá temos as imagens”, explicou o edil, sobre o local, que abrirá ao público no próximo dia 24 de setembro.

Humberto Oliveira, presidente da Câmara de Penacova, enfatizou “a atividade conjunta dos três municípios”, garantindo ainda: “Queremos tornar isto um recurso turístico para aumentar a visibilidade a este espaço territorial. Para além disso, cada Município faz também as suas próprias atividades”. O autarca referenciou ainda que “os três Municípios estão a proceder a uma candidatura ao programa LIFE para a zona florestal do Bussaco”.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, lamentou ter estado num centro histórico francês e não ter visto nenhuma referência à Batalha do Bussaco. Opinião idêntica à de José Faria e Silva, presidente da Associação Napoleónica Portuguesa, que explicou que a mesma foi criada, em 2003, “porque assistiu a uma recriação histórica na Corunha e a referência a Portugal foi nula, pelo menos nessa altura”.

Para o Coronel Luís Albuquerque, Diretor do Museu Nacional, “a Batalha do Bussaco marca o renascimento do Exército Português, onde metade dos efetivos dessa ‘luta’ eram portugueses”.

Inscrições abertas para Passeio Encenado Noturno

Para além das cerimónias militares e protocolares do Exército Português, que se realizam no Obelisco, na Porta de Sula (Buçaco), no dia 27 de setembro, as atividades são imensas nos três concelhos, destacando-se o Passeio Encenado Noturno, uma das iniciativas conjuntas, no dia 23 de setembro, com início às 21 horas, e que está sujeita a inscrições. Cada uma tem o valor de 7,50 euros e pode ser efectuada através dos correios electrónicos maravilhasmealhada@gmail.com, turismo@cm-mortagua.pt e/ou eventos@cm-penacova.pt