No passado mês de maio, caiu uma pernada de um quarto da tília, “de grande porte”, que se situa na Rua Emídio Navarro, na vila termal de Luso, junto à “movimentada” Fonte de São João. Preocupado, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, pediu um parecer a um especialista na matéria, que entregou o relatório na semana passada. Um documento que não deixa dúvidas sobre a “fragilidade” da árvore e risco de queda, o que levou a que, na manhã de 28 de agosto, o executivo tenha deliberado, por unanimidade, o seu abate. O corte acontecerá esta semana.

O acesso à Fonte de São João, no Luso, está, desde a semana passada, interdito em alguns locais por causa da tília de grande porte. A medida foi tomada depois do presidente da Câmara receber o relatório realizado por Francisco de Coimbra, da empresa Árvores & Pessoas, onde se verifica que “a degradação da madeira do tronco é tão extensa e as cavidades de tão grande dimensão que fica claro que o potencial de rutura deste exemplar é muito alto, nas suas atuais condições”.

Para o especialista, uma “poda radical” (como também equacionou) seria o adiar do abate. “Para mim, esta tília chegou ao fim. Podá-la pode ser um erro a pagar décadas mais tarde”, disse ainda, defendendo que “a atitude mais prudente é proceder ao seu abate, atendendo às suas grandes dimensões e ao facto de estar implantada numa zona de presença frequente de pessoas e automóveis”.

Segundo um comunicado da autarquia da Mealhada, “a árvore foi objeto de uma poda de segurança em 2005 e voltou a ser em 2015, após a queda de uma pernada, tendo na altura sido o entendimento dos especialistas que ainda seria possível mantê-la”.

E Francisco Coimbra explica: “Hoje, a minha opinião é o abate. Em 2015 não foi, apesar de ter tido algumas dúvidas, mas hoje é. O risco é grande. Ela parece saudável, mas a base está em acelerado apodrecimento”.DSC03890

Presente na reunião extraordinária desta segunda-feira esteve também Claudemiro Semedo, presidente da Junta de Freguesia do Luso. “É pena para a vila o abate desta árvore, mas estive no local no dia 12 de maio, em que caiu a pernada, e defendo que, em primeiro lugar, está a segurança das pessoas”, enfatizou.

Uma segurança, que mesmo com grades de interdição, não é respeitada pelas pessoas. “Ontem (domingo, dia 27 de agosto) passei por lá e vi pessoas nos locais de proibição. Vi, aliás, duas senhoras com um carrinho de bebé, a arredarem as grades e a conversarem debaixo da árvore”, lamentou Marlene Lopes, vereadora eleita pela coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”.

Também da oposição, Hugo Silva sugeriu a plantação de uma árvore, “naquele ou em outro local possível” e Gonçalo Louzada “um levantamento das árvores no concelho da Mealhada que possam estar na mesma situação”.

Uma questão, aliás, levantada por Hugo Silva, à qual Francisco Coimbra respondeu: “Trabalho com  imensas Câmaras no país e posso garantir-vos que esta questão das árvores não tem cor partidária. Há de facto muitos erros em todo o lado!”.

O abate da tília no Luso, e segundo comunicado da autarquia, será efetuado esta quarta-feira, dia 30 de agosto.