Os representantes da maior parte das coletividades da freguesia da Pampilhosa pediram ao presidente da Câmara da Mealhada, na noite de 21 de julho, na Junta de Freguesia da Pampilhosa, que transforme o velho edifício do “Chalet Suisso”, localizado em frente à linha ferroviária daquela vila, “numa incubadora de instituições culturais”.

No decorrer de uma reunião convocada pelo Município para debater o futuro do mítico chalé, que foi mandado construir, em 1886, pelo emigrante suíço Paul Bergamin e recentemente adquirido pela Câmara após anos votado ao abandono, as coletividades que marcaram presença (apenas uma das catorze da freguesia faltou à chamada*) convergiram na ideia de que “um edifício histórico como o ‘Chalet Suisso’, onde dormiram reis – a rainha D. Amélia dormia ali sempre que viajava para Espanha -, só pode ter um uso cultural”.

Coletividades como o Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente da Pampilhosa (GEDEPA) ou a Associação Desportiva e Cultural dos Pescadores de Pampilhosa defenderam que o velho chalé pudesse ser transformado em espaço turístico ou, como defendeu a Filarmónica Pampilhosense, que fosse repartido entre espaço turístico e cultural. Mas, após os contributos dados, entre outros, pelas delegações locais da Cruz Vermelha Portuguesa e dos escuteiros, Grupo Regional da Pampilhosa do Botão, Associação Cultural LISMOS, Futebol Clube da Pampilhosa, Associação de Teatro Aguarela de Memórias, Bombeiros Voluntários da Pampilhosa e Junta de Freguesia local, prevaleceu a ideia de que o futuro do “Chalet Suisso” deve passar por acolher instituições locais de cultura, uma biblioteca, um pequeno museu e espaços para exposições temporárias.pastedGraphic_2 (1)

O que mais surpreendeu o presidente da Câmara da Mealhada, Rui Marqueiro, foi perceber, após a reunião com representantes de treze das catorze coletividades existentes na freguesia da Pampilhosa, que a maior parte dos moradores desconhece por completo quão bonito é, por dentro, o edifício. “Não imaginava que as pessoas falassem do ‘Chalet Suisso’ sem conhecer o seu interior. Fiquei admirado! Tem compartimentos muito bonitos, com pinturas que devem ser preservadas, daí que, nesta primeira fase, iremos proceder à limpeza, higienização, arranjo da cobertura e selagem do prédio para evitar maior degradação. Depois, iremos mandar executar um projeto arquitetónico de reabilitação, eventualmente a cargo de algum arquiteto – Siza Vieira ou Souto de Moura, por exemplo – que, para além da garantia de qualidade, tragam também prestígio e notoriedade ao ‘Chalet Suisso’, acrescentando valor à obra”, afirmou, no final da reunião, Rui Marqueiro, prometendo um trabalho que vá ao encontro das pretensões dos pampilhosenses e não seja uma (im)posição unilateral da Câmara Municipal.

 

*Segundo o que o «Bairrada Informação» conseguiu apurar apenas o Grémio de Instrução e Recreio (GIR) não esteve presente.

 

A HISTÓRIA

O “Chalet Suisso”, inicialmente propriedade da Empresa de Construção Civil Bergamin, Lda., ficou também conhecido como “Hotel Bergamin” ou “Hotel Suisso”.pastedGraphic_1 (1)

Foi construído num local estratégico, junto à conhecida estação ferroviária da Pampilhosa, criando condições para o repouso e dormida dos viajantes que, ao mudarem de comboio na Pampilhosa, passaram a ter onde pernoitar.

Existem vários relatos de que o rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia ali pernoitavam para repor as forças gastas nas longas horas de viagem de comboio. Aliás, o quarto n.º 12 era conhecido como o quarto reservado a suas majestades.

A sua construção bem ao “estilo suíço”, evoca as casas campestres dos Alpes Suíços, transportando-nos para um cenário característico dos postais daquela região, com vacas, queijos e relógios. A arquitetura do edifício revela, logo à partida, influências de estilo dominante naquele país.

 

Fonte: Câmara Municipal da Mealhada