A entrega oficial das chaves da nova casa a Rosa Maria Pinto, residente em Vila Nova de Monsarros (Anadia), que ficou sem grande parte da sua habitação no incêndio de agosto do ano passado, aconteceu na manhã de 14 de julho de 2017. E foi das mãos de Jorge Gomes, Secretário de Estado da Administração Interna; Eugénio Jesus da Cruz Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa; José Ferreira Alves, presidente da Cáritas Diocesana de Aveiro, e de Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, que a entrega foi feita.

“Eram 4h 30m do dia 10 de agosto quando o fogo cercou a nossa casa, onde eu estava com a minha filha (Inês, agora com doze anos)”. Foi assim que Rosa Pinto, de cinquenta e um anos, começou por descrever, ao «Bairrada Informação», o que viveu na madrugada em que ficou sem parte da sua habitação. “O fogo de Algeriz passou para aqui, de repente, e quando um primo nos veio buscar, já estávamos cercadas e eu andava a regar e a soltar os cães”, continuou, emocionada.

“Dona Rosa”, como é tratada por todos, recordou que, “nessa madrugada, muita gente estava acordada porque era o último dia de festas aqui do lugar”. “O vento era muito forte e isto de repente parecia o inferno. Toda a gente gritava e chamava pelo meu nome, por esta ser a casa mais perto do fogo, a que se situava na encosta”, acrescentou ainda.

E apesar de nos finais da madrugada de 10 de agosto ter estado em casa do primo, logo pela manhã, Rosa Pinto quis ir para a sua. “Foi um choque. A casa estava toda preta, os fios da eletricidade ficaram todos esfolados, não havia água e os terrenos estavam literalmente em brasas”, recordou “dona Rosa” que, contudo, não quis ir para outro local.

“A Junta de Freguesia ajudou e arranjou parte da casita onde vivia, para ter o mínimo de condições, até esta ficar pronta”, referiu ainda, agradecida pela casa, onde agora reside, desde o passado sábado (8 de julho), com a filha e o marido, não conseguindo esquecer, contudo, o que lhe aconteceu: “Passei muito mal e isto é complicado de apagar”.

Os terrenos envoltos da nova casa, não deixam dúvidas de que a tragédia do verão passado foi grande na zona. “Foi uma semana que devastou a nossa floresta, de muita aflição, mas felizmente não tivemos vítimas humanas a registar”, disse Teresa Cardoso, enaltecendo o facto de as pessoas estarem agora “mais sensibilizadas para os riscos de incêndios, sobretudo, no que toca a limpeza da floresta”.DSC03383

A construção de raiz, que começou em dezembro passado, desta casa foi apoiada pela Câmara de Anadia e a Cáritas Diocesana de Aveiro, depois da campanha nacional de “apoio às vitimas dos incêndios”. E cerca de sessenta e seis mil euros, de um montante de cento e trinta mil euros que a Cáritas de Aveiro recebeu, foi para esta casa de Vila Nova de Monsarros.

A ajuda da Câmara, segundo José Ferreira Alves, passou “pela elaboração de todos os projectos de arquitetura e especialidades; fez o acompanhamento técnico e todo o trabalho de exterior, de demolição e arranjo dos terrenos; fez o trabalho de saneamento;  isentou todas as licenças; e vai suportar todos os registos”. “Sem esta preciosa ajuda da autarquia, seria muito difícil”, enalteceu.

E por tudo isto, o Secretário de Estado da Administração Interna não se coíbe de “celebrar a resposta que a sociedade dá”. “Hoje levamos o coração cheio daqui e esperamos que a dona casa seja muito feliz ‘nela’, que a usufrua, porque bem merece”, referiu Jorge Gomes, enaltecendo o papel da Cáritas em todo o processo “de campanha, bem como, depois, na sua gestão”.

Também o presidente da Cáritas Diocesana de Aveiro explicou que a nova casa “foi construída mais perto da estrada, para não estar na encosta” e referiu que “o ato de entrega das chaves é uma alegria para todos e traz esperança para o futuro”.