A Escola Profissional de Anadia conta com vinte e seis anos de existência e tem na sua génese o curso de Técnico de Viticultura e Enologia. Uma formação, equivalente ao décimo segundo ano, que apesar de estar numa escola que se situa no “coração das vinhas da Bairrada”, nunca teve uma adesão que o seu diretor tanto gostaria. Mas Adriano Aires não desiste deste curso, “até porque a procura por parte do tecido empresarial é grande e quem quer, tem emprego!”, contudo, o leque de oferta foi-se  alargando e há já outras formações com elevadíssima procura.

“Em equipa que joga bem, não se mexe!”. Parece ser este o lema do diretor da Escola Profissional de Anadia para a escolha, ou melhor, para a manutenção dos cinco cursos no próximo ano letivo: Técnico de Gestão; Técnico de Vitivinícola; Técnico de Restaurante – Bar; Técnico de Cozinha – Pastelaria; e Técnico de Desenho de Construções Mecânicas – Moldes.

Módulos em atraso são escassos ou nenhuns

“O nosso projeto educativo focaliza-se na pessoa / aluno e, por isso, fazemos um acompanhamento próximo aos níveis social, familiar e pedagógico”, começa por explicar, ao «Bairrada Informação», Adriano Aires, que garante reger-se por um princípio: “Nenhum aluno inicia um período seguinte com mais de dois módulos em atraso e para a formação em contexto de trabalho não pode ter um único módulo em atraso. Queremos com isto evitar o insucesso escolar e, para isso, proporcionamos aos alunos apoios de aprendizagens com os professores, fora das aulas de calendário”.

E o mesmo acontece no final do ciclo de três anos do curso, em que a Escola só deixa um aluno defender a Prova de Aptidão Profissional se não houver nenhum módulo em atraso. “Temos muito bem definido o triângulo relacional do aluno, com a escola e família”, enaltece Adriano Aires.

Alunos distinguidos “pelo melhor serviço prestado”

Para o diretor desta instituição de ensino profissional, “existem muitos problemas sociais” refletidos nos alunos, mas que a escola tenta minorar internamente. “Quando não conseguimos, encaminhamos para os serviços sociais do Município, mas neste setor temos tido algum sucesso. Não é por acaso que temos uma assistente social na escola….”, explica.

Adriano Aires garante ainda haver um entrosamento institucional entre a escola e entidades exteriores. “Colaboramos em eventos organizados Câmara municipal, na organização, produção e serviço do jantar de Natal e outros de grandes dimensões, de I.P.S.S(s). (Instituição Particular de Solidariedade Social), numa lógica de contributo e envolvimento social. Colaboramos também no ‘Wine Trophy’, um concurso organizado por uma empresa de Markting alemã e que este ano juntou mil e novecentos vinhos, de todo o mundo, em Anadia, este concurso que se que se realiza todos os anos também em Berlim e Coreia. O serviço de vinhos de Anadia, efectuado pelos nossos alunos, coordenados pelos professores, foi distinguido por unanimidade, pelo segundo ano consecutivo, como melhor serviço das três rondas”, elogia.

Profissional de Anadia foi uma das que testou, com sucesso, certificação EQAVET

A Escola Profissional de Anadia foi uma, do grupo das primeiras oito escolas piloto, escolhida pela ANQEP para obter, com sucesso, certificação EQAVET (European Quality Assurance Reference Framework for Vocational Education and Training)

Foi feito um grande trabalho porque, como qualquer certificação, esta foi também exigente e meticulosa, mas que nos deu muita satisfação”, referiu Adriano Aires.

Atrasos nos pagamentos à escola rondam “ muitas centenas de milhares de euros”

E tal como a maioria das Escolas Profissionais, também a da Anadia sofre com os atrasos nas transferências por parte do programa de fundos comunitários. “Somos cumpridores das nossas contas e não temos veleidades ou atrevimentos de grandes voos, por isso, nunca tivemos subsídios em atraso aos alunos ou ordenados aos docentes e restantes colaboradores. Não temos dívidas, mas tivemos que fazer um esforço grande este ano, porque apesar da verba adiantada, no início do ano letivo, trazer algum conforto, desde então, nunca mais recebemos nada!”, lamenta Adriano Aires, referindo-se “a muitas centenas de milhares de euros em atraso” e a uma plataforma, para inserção dos dados, que “é uma dor de cabeça”.

Localização no centro de Anadia, ajuda o aluno “a crescer” por osmose de cidadania

O diretor da Escola Profissional de Anadia falou ainda, ao «Bairrada Informação», em “imagem de qualidade” que a escola tem no exterior e de uma relação saudável com a Câmara, entidade proprietária dos edifícios onde a escola de situa, no centro da cidade anadiense.

“Gostamos que as nossas instalações sejam aqui, porque defendemos que o contacto do aluno com o meio envolvente também o ajuda a crescer. Pessoas atraem pessoas e ou as trazemos para o centro histórico da cidade ou este acaba por ‘definhar’”, garante ainda.

Cursos com taxas de empregabilidade altas

Todos os anos, a Escola tem cerca de três centenas de alunos em formação em contexto de trabalho. “O ‘feedback’ é muito bom, sendo que o que tem maior dispersão geográfica, desde os Açores ao Minho passando pela Madeira e Algarve, do litoral à raia com Espanha, é o curso de restauração. Fazemos questão de os colocar em boas unidades, tais como, o Grupo Pestana e as Pousadas de Portugal e ainda em dois ou três locais em Inglaterra”, explica Adriano Aires, que continua: “Em Gestão, os alunos são colocados, normalmente em empresas dos distritos de Aveiro e Coimbra. O balanço é muito bom e os orientadores das empresas tecem rasgados elogios à sua prestação. Mas é preciso referir que cinquenta por cento destes alunos prosseguem estudos para a Universidade”.

O mais recente é o curso de Moldes que “tem tido elevada aceitabilidade”. “Não contávamos que fosse um curso com tanta empregabilidade. Temos procura de empresas locais e de Oliveira de Azeméis e da Marinha Grande. Há procura de profissionais contudo ainda existe alguma resistência dos jovens em se deslocar para outros municípios mais afastados da sua residência”, explica Adriano Aires.

“Na restauração a empregabilidade é de cem por cento. Existe uma dificuldade que é transversal a formações semelhantes de outras Escolas os horários do serviço das refeições não é atraente, o que leva alguns formados a procurarem emprego noutros ramos de atividade. Felizmente que a dinâmica da economia do concelho tem sido favorável à criação de novos empregos não só na restauração como noutras actividades”.

O grande “problema” parece estar na adesão dos jovens ao curso da génese da criação da escola de Viticultura e Enologia da Bairrada. “No ano passado, começaram dez alunos e só terminaram sete. “Estamos a ter uma revolução na agricultura e espero que isto ajude, porque há pelo emprego na área do curso”, refere.

Escola tem alunos provenientes de toda a região

Da média de cerca de trezentos alunos que estudam na Escola, apenas trinta a quarenta por cento são oriundos do concelho de Anadia; seguido dos concelhos de Águeda, Oliveira do Bairro e Cantanhede; e uma franja mais pequena da Mealhada, Coimbra e Aveiro.

Inscrições para o próximo ano letivo estão prestes a terminar

As aulas começam na Profissional de Anadia, no ano letivo de 2017 – 2018, a 8 de setembro, e, por isso, o mês de julho (até dia 20, sensivelmente) é o limite de aceitação das inscrições.

Mais informações podem ser visualizadas em http://epanadia.edu.pt/