Resolvi desafiar alguns doentes meus a testemunharem sobre a influência que a Medicina Chinesa exerceu nas suas vidas… e o resultado vai estar à vista nos próximos artigos! O primeiro é este:

“O meu nome é Sandra, tenho 33 anos e aos 30 foi-me diagnosticado cancro da mama de grau III numa escala de IV. Assim que foi confirmada a doença, mesmo antes do início dos tratamentos de quimioterapia, comecei a fazer acupunctura. Fazia uma ou duas vezes por semana, juntamente com a toma da fitoterapia. Antes de iniciar a quimio, através do mesmo procedimento da biópsia, foi-me colocado um clip metálico no tumor para facilitar a identificação dele nos exames. Já na altura da aplicação do clip (cerca de duas semanas após iniciar acupuntura e fitoterapia), o tumor tinha reduzido cerca de 0,5cm (dimensão inicial de 2cm). Ainda antes de iniciar a quimioterapia, em conversa com a Paula Gradim (Especialista de Medicina Chinesa que me acompanhou), percebi a importância de complementar o tratamento da quimioterapia com a medicina chinesa. Questionei a oncologista sobre o assunto e ela disse para informa-la sobre as fórmulas, as quais não colocou qualquer impedimento e ainda me disse: pode fazer à vontade e use e abuse do reiki também!

Iniciei o meu processo de tratamentos… ao fim do primeiro ciclo de quimioterapia já não havia sinais do tumor! Esperavam-me mais 5 sessões de quimioterapia de 3 em 3 semanas, onde fiz acupunctura uma vez por semana e na semana de tratamentos, fazia na véspera e no dia do tratamento. Saia do IPO e ia directa ao gabinete da Paula onde sentia que era a minha porta de saída de emergência! Era onde eu respirava de alívio e acreditava que tudo ia ficar bem. Ajudava-me a relaxar e a combater o “bicho” como lhe chamávamos… A verdade é que durante todo o processo, apesar do medo que eu sentia ao ouvir os relatos de quem fazia tratamentos comigo (vómitos, náuseas, diarreia, febre, corpo sem força, falta de apetite, dores intensas no corpo, cansaço…) eu não senti qualquer efeito secundário. A acupunctura não só me ajudou fisicamente como emocionalmente. Encarei a doença com positivismo! Com uma força que sei que dependeu muito de mim mas que sei que não a conseguiria agarrar sozinha!

Mas… nem sempre estive bem. Houve uma fase da doença (talvez no quarto ciclo), que me deixei cair. Questionava-me se de facto eu iria sobreviver… já tinha testemunhado perdas bem de perto… achava que as pessoas me diziam que ia ficar tudo bem, só pelo simples facto de saber que é o que se diz numa situação destas… é a única coisa que nos podem dizer mesmo que achem que não vai dar certo. Eu diria o mesmo… certo? Então ia deitar-me a achar que o mundo inteiro estava a iludir-me! Todos sabiam que não iria sobreviver e não me queriam dizer! Então desisti! Não tomei a fitoterapia durante uma semana… falhei a uma consulta de acupunctura… Achava que tinha corrido bem até ali por coincidência… que não era nada das agulhas ou gotas! E sabem o que aconteceu? Tive TODOS os sintomas!!! Uma noite sem dormir com tantas dores no corpo, difíceis de descrever, febre, náuseas, falta de apetite… foi a única vez que fiquei na cama a chorar de dores, tomando analgésicos na esperança de melhorar. Voltei aos tratamentos de acupunctura e fitoterapia e felizmente o meu tormento acabou. Terminei os tratamentos com sucesso! Confio a minha vida à Medicina Chinesa! E estou grata por ter sobrevivido com a sua ajuda! Recomendo vivamente! E… obrigada por me ajudares a VIVER!”.

 

Este não podia deixar de ser o primeiro testemunho publicado, por vários motivos: pelo sucesso terapêutico, pela proximidade, pelas emoções e por tudo o que me ensinou enquanto profissional e Ser Humano! Este caso fez-me reforçar a ideia que tenho de que o envolvimento com o doente exige, emocionalmente, muito de nós, mas dá-nos uma perspectiva de tratamento muito mais forte e cria uma relação, acima de tudo, de confiança… fundamental quando o objectivo é vencer!

Obrigada, Sandra!

 

Paula Gradim

Especialista de Medicina Chinesa

 

Imagem: rudolf_langer (pixabay.com)