Discutir, repensar e pensar o futuro da Bairrada. Foi isso que fizeram empresários, autarcas e representantes de entidades vinícolas e turísticas, durante todo o dia de 2 de junho, no 1.º Congresso Empresarial da Bairrada, que se realizou em Anadia. Alexandre Almeida, sócio/gerente dos Hotéis Alexandre Almeida, empresa detentora dos Palace do Bussaco e Curia e do Hotel Astória, em Coimbra, desafiou a plateia para um exercício tecnológico, onde concluiu: “Neste momento, a Bairrada são os vinhos e o leitão”. “A marca que falamos só existe para nós”, enfatizou.

Mais uma centena de pessoas “discutiram”, na passada sexta-feira, “A Bairrada como Potencial Económico – Uma Marca e uma Região que se desafia a si Própria”. Uma marca que Alexandre Almeida defende “não existir”. “Os vinhos e o leitão fazem a Bairrada, o turismo, hotelaria, Termas e afins já não”, continuou o sócio / gerente dos Hotéis Alexandre Almeida, enfatizando: “Temos todos que estar muito gratos aos ‘vinhos’. Os vinhos da Bairrada conquistam o mundo, contudo, a Bairrada perdeu o mundo”.

Alexandre Almeida elogiou o trabalho da Associação Rota da Bairrada, o aparecimento de alguns hotéis diferenciadores e a construção do Centro de Alto Rendimento, em Sangalhos. “Mas, por exemplo, acho fundamental que no Museu do Vinho as placas identificativas estivessem não só em português, mas também francês e inglês”, lamentou o empresário que na Curia garante: “O Hotel das Termas está em fundo bancário, o Curia Golfe faliu e o Villa Rosa fechou”.

“Mas afinal o que está acontecer?”, questionou, retoricamente, Alexandre Almeida, que, perante uma plateia de empresários, expôs, através da internet, “de como a Bairrada não existe”. “Se formos ao site do Turismo de Portugal, a Bairrada está inserida no Centro de Portugal. Ninguém vai passar férias para o centro de nada, vamos passar férias para o centro de uma cidade…”, continuou.

“No site do Turismo do Centro não aparece a região da Bairrada, até porque é uma sub-região, e nem o Grande Hotel do Luso e o Palace do Bussaco, o que é lamentável”, disse Alexandre Almeida, afirmando que “a Bairrada existe só para nós, os bairradinos, e para a Rota da Bairrada, que faz um extraordinário trabalho”.

Antes de terminar, o empresário, de uma cadeia de hotéis de renome a nível nacional, quis exemplificar o que disse, através de um site internacional de ofertas hoteleiras, de como a Bairrada “não aparece”. “Quando colocamos Bairrada, no centro de Portugal, aparecem ofertas hoteleiras da Bairrada, junto da Bairradinha (Cardal), em Castelo de Bode, junto ao rio Zêzere. Não se admite, é triste, mas é um facto: nós perdemos a Bairrada. Parabéns aos vinhos, porque o turismo já não existe”, concluiu ainda.

Na sessão de abertura, Jorge Sampaio, vice-presidente da Câmara de Anadia e presidente da direção da Rota da Bairrada, elogiou a iniciativa da Associação Comercial e Industrial da Bairrada (ACIB), que contou com o apoio do Município anadiense, apelando: “Acho que uma vez por ano, devemo-nos sentar e pensar na marca Bairrada, no seu futuro e sairmos destes encontros com mais certezas”.

Já Emília Abrantes, presidente da direção da ACIB, centrou o discurso nas novas tecnologias e no papel que as empresas têm que ter para acompanhar a evolução. “Temos que ser criativos, sociais e com espírito de partilha. Somos uma região rica em gastronomia, vinhos, Termas e serviços de hotéis e diferenciadores na forma como acolhemos”, afirmou a dirigente, defendendo que “uma marca não é um ponto de chegada, mas sim um caminho”. “Que hoje seja o primeiro de muitos encontros”, concluiu.