Que balanço faz de quase quatro anos de mandato?

Foi um mandato positivo. A realidade económica no Município, em 2013, era  muito diferente da de hoje….

 

Deparou-se com algum problema com o qual não tivesse a contar?

Com dois e ambos no Luso. Tive logo uma ameaça latente por parte da Fundação Bissaya Barreto que estava a ter uma exploração negativa do Grande Hotel de Luso e «ameaçou» encerrar portas.

Fechar o Grande Hotel de Luso era fechar a vila e, por isso, coloquei as equipas da área social, do desporto e tudo o que era preciso fazer, por parte da Câmara Municipal, no terreno. Depressa apareceram os imensos eventos desportivos, as animações de Verão e muita actividade na freguesia do Luso.

Por outro lado, e apesar disso aumentar as despesas da Câmara, não quisemos fechar o Posto de Turismo do Luso. É essencial que esteja aberto aos turistas.

 

A procura por parte de equipas, de várias modalidades e de todo o país, também tem sido uma mais valia…

De 2013 até agora, e se tivermos em conta as que estão para chegar nos próximos meses, é de facto fantástico a procura que temos para estágios nas infraestruturas desportivas do Luso.

Estamos a falar de futebol, atletismo, hóquei, andebol, basquetebol, um sem número de modalidades que permitiram gerar economia na vila e uma taxa de ocupação em unidades hoteleiras, muitas vezes, lotada.

Quando tomámos posse houve a preocupação de colocarmos a segunda bancada no Pavilhão Municipal do Luso, e recentemente, arranjámos os Campos de Ténis. Enfim, um conjunto de investimentos para a freguesia que sempre tivemos em conta nos últimos anos.

 

E faltam mais?

Falta sempre, mas neste caso temos a intenção de que o Luso tenha uma Sala Polivalente que lhe permita «oferecer» à população e aos visitantes espectáculos, bem como um espaço para reuniões… A Câmara já é proprietária do antigo Cineteatro e pretendemos incentivar esta obra o mais depressa quanto possível.

Por outro lado, queremos arranjar condignamente o estacionamento à entrada da vila do Luso.

 

“Problema mais grave do Município foi o da ‘Fábrica da Baganha'”

 

Dizia há pouco que havia outro problema no Luso quando tomou posse?

Sim. Referia-me à maldição que era a designada de «Fábrica da Baganha» e que, em determina altura, só cabia aos Tribunais fazer alguma coisa. O cheiro a baganha e a fumaça, provenientes da laboração da fábrica, era uma situação apocalíptica para a qual tivemos que tomar medidas e que, muitas vezes, foi incompreendida por alguns munícipes.

Estávamos perante uma barbárie ambiental, que condicionava a estratégia turística que tínhamos para o Luso. Foi de facto o problema mais grave que tivemos no Município nestes quatro anos. Esperamos agora uma decisão final do Tribunal.

 

Mas este problema ambiental não acontece só no Luso?

Pois não, temos um de cheiro intenso e desagradável, e que traz algumas moscas também, referente a uma pocilga que existe no Cardal. O mau cheiro é muito frequente e atinge algumas zonas da Mealhada. Estamos a tentar solucionar o problema e a lutar para que se seja reposta a legalidade. O processo judicial já teve início com a presença de testemunhas em Tribunal.

É preciso que se diga que não queremos que as empresas fechem, queremos que elas cumpram as normativas de natureza ambiental. Estas situações são muito absorventes e requerem muita minuciosidade no seu tratamento.

 

É público que o dr.º Rui Marqueiro sempre se manifestou desagradado com o vigente Portugal 2020…

É um Quadro Comunitário que devia ter começado em 2014 e, para as autarquias, só agora, em 2017, começa a dar os primeiros passos.  Vamos ver se este ano já se vê alguma coisa, mas parece-me que os anos 2018, 19 e 20 serão os de grande implementação do programa.

É preciso, contudo, dizer-se que, ao longo deste mandato, foi preciso preparar projectos e candidaturas e isto só pode ser feito com trabalho especializado.

 

Apesar disso, os investimentos têm acontecido um pouco por todo o concelho.

Tivemos obras importantes a serem inaguradas neste mandato. Procedemos à recuperação urbana no Luso, no valor de um milhão e meio de euros; inaugurámos o Centro Escolar do Luso, uma obra de um milhão e 300 mil euros; e o Centro Escolar da Mealhada que estava apenas adjudicado quando cá chegámos. Está, neste momento, a funcionar e parece-me uma obra com alguma qualidade….

Ao nivel desportivo, financiamos três relvados sintécticos no Município, num valor total de 800 mil euros.

 

O Pavilhão de Ventosa do Bairro era outra obra que urgia…

Eu fiz essa promessa em campanha eleitoral. Em primeiro lugar porque tendo actividade no Pavilhão procurámos, assim, combater alguma desertificação de Ventosa do Bairro, por outro porque tivemos que pensar numa alternativa ao Pavilhão da Mealhada.

Este Pavilhão Gimnodesportivo Municipal é uma infraestrutura com 20 anos que precisa de obras de recuperação, principalmente na sua cobertura. Portanto é necessário ter uma alternativa.

 

Há ainda projectos já pensados e feitos, mas por colocar no terreno.

Temos o caso do Mercado Municipal da Mealhada. Quando tomámos posse a Misericórdia da Mealhada fez-nos saber que as condições eram péssimas e que a ASAE, mais dia menos dia, encerraria o espaço. Por outro lado, a instituição, que está a crescer, precisa do terreno para a construção de um Lar de idosos.

Tivemos que pensar numa alternativa e, a curto prazo, vamos iniciar a obra do Mercado da Mealhada (situado perto da Zona Desportiva da Mealhada), que não teve um licenciamento fácil, mas que estamos agora na fase de apresentação de propostas.

 

E em Casal Comba…

Estamos essencialmente preocupados com as redes de água que estão velhas, têm cerca de 30 anos e são de fibrocimento, um material que tem um pouco de amianto. É uma obra prioritária que já está a avançar.

 

Há também uma aposta forte na Pampilhosa.

Acho que ainda neste mandato teremos a obrado Mercado Municipal, que tem um custo de 800 mil euros, iniciada. Adjudicámos módulos junto ao Mercado para que os lojistas fiquem lá durante o período da obra. Estamos a melhorar aquela zona central da vila, com a construção de um estacionamento junto ao Mercado, que faz muita falta.

Por outro lado, vamos adquirir o Chalet Suíço e o seu terreno anexo e estamos a estudar de que forma podemos melhorar a Pampilhosa utilizando estas aquisições.

Não posso esquecer também a regeneração de toda a Baixa da vila.

 

Em Barcouço há um investimento grande no Lar de Idosos…

Vamos comparticipar a obra em 200 mil euros, mas para além disso, apoiámos a Junta de Freguesia, em diversas obras, num valor que ultrapassa os 150 mil euros, do qual se insere a abertura da Rua Traz da Mata.

 

E que fim terão os edifícios do antigo Instituto da Vinha e do Vinho, na cidade da Mealhada?

Para a Mealhada teremos em vigor o Plano de Acção de Regeneração Urbana (PARU) para recuperar toda a zona da Destilaria, que é muito bonita, tornando-a um ponto de atracção e de visitação. Depois, certamente, que faremos uma discussão colectiva com a população, para dar destino às zonas dos depósitos, escritórios e armazém. Teremos certamente lugar para criar mais estacionamentos na Mealhada.

E vamos também terminar a Avenida, de um sentido, na Dr. Manuel Louzada, que tem início junto ao Pontão e que só acaba na zona do Intermarché. Uma obra avaliada em três milhões de euros, mas que será comparticipada em cinquenta por cento.

 

Quando diz «discussão colectiva» refere-se à ferramenta participativa?

Uma ferramenta desse género, que tencionamos deixar pronta para que o próximo executivo a possa também usufruir, se assim o entender…

 

Muitas das obras realizadas nas freguesias são financiadas pela Câmara até porque as Juntas têm orçamentos reduzidos…

Num ano e meio foi transferido para as seis freguesias cerca de um milhão de euros. Refiro-me a obras já realizadas, pagas e a outras que estão já contratualizadas.

 

Acho miserável dizer-se que as pessoas são pagas para virem plantar árvores”

 

É frequente dizer-se que a “bandeira” do seu mandato foi o Turismo. Isto é verdade?

Não sei se foi a bandeira, mas tivemos uma preocupação grande em divulgar a marca «4 Maravilhas da Mesa da Mealhada». Participámos de 2014 a 2017 na Bolsa de Turismo de Lisboa com um stand e um restaurante, onde tivemos a parceria dos restaurante Típico, Pedro dos Leitões e Castiço.

Fomos três edições à Feira Ibérica do Turismo na Guarda e aqui agradeço ao restaurante «O Castiço», pois foram inexcedíveis na sua participação e fizeram uma propaganda forte da «água, pão, vinho e leitão».

Depois há também a «publicidade», muito positiva, feita pelas equipas de futebol que por aqui passam, como por exemplo, Arouca, Tondela, Marítimo e muitas outras. No Verão a Mealhada vem sempre destacada em jornais desportivos e isto parece-me que passa despercebido à população da Mealhada, mas que nos dá uma publicidade nacional fantástica.

Do hóquei já nem consigo dizer mais nada… Fizeram do concelho da Mealhada um palco para tudo: realização de campeonatos, comemorações, etc.

 

O Posto de Turismo junto ao Parque da Cidade da Mealhada era uma obra necessária?

Tem vindo a crescer e é visitado, maioritariamente, por turistas nacionais, mas passam também por lá muitos peregrinos que estão a prosseguir o Caminho de Santiago de Compostela. É por isso que, da mesma forma que estamos na Associação Caminhos de Fátima, vamos integrar os de Santiago.

 

Há números que possam identificar o crescimento do turismo no concelho da Mealhada, nos últimos anos?

Claro, conheço, por exemplo, no Luso, as estatísticas do Grande Hotel e do Hotel Eden, que, certamente, serão disponibilizadas a quem quiser…. Garantem-me que os números não têm parado de crescer. O próprio gerente de um hotel na vila já me disse, que quando houve um evento ligado ao motociclismo, teve o espaço lotado e que vendeu quartos a 250 euros. Então isto não é maravilhoso?

Por outro lado, temos os restaurantes que melhoraram a qualidade dos serviços e dos produtos e nota-se bem que a frequência de visitantes tem sido extraordinária. O facto de termos sido considerados local gastronómico em 2016 ajudou ainda mais.

 

É inevitável dissociar o turismo do Buçaco e aqui a polémica está instaurada com algumas pessoas a alegarem que o Município gasta muito dinheiro a contratar personalidades para virem plantar árvores… Isto é verdade?

Acho miserável que se façam insinuações indignas desse tipo…. Posso garantir que não e prometer que será divulgado um relatório dos Técnico e Revisor Oficiais de Contas onde se reflecte que não houve uma única pessoa, das dezenas de personalidades que por aqui têm passado, que tivesse sido paga para o fazer.

Custa-me ler e ouvir certas coisas sobre a Mata do Buçaco, um local que, de 1943 a 1996, esteve literalmente abandonado. Se não houvesse uma Fundação como estaria o Buçaco nesta altura? Queremos ser considerados Monumento Nacional e Património Mundial da UNESCO. É para isso que trabalhamos, até porque há financiamentos do Estado que só se podem dar a quem está classificado….

Neste momento, as pessoas pagam entrada na Mata e o dinheiro em vez de ir para o Estado, fica na Fundação para poder ser trabalhado em prol da Mata do Buçaco. Mas que problema é que se pode ver nisto?

Talvez seja difícil a Fundação vir algum dia a ser auto-sustentável, mas se não tentarmos também nunca saberemos…

 

Acha que esta e outras polémicas estão relacionadas com a aproximação das eleições autárquicas, prevendo-se assim um fim de mandato difícil?

Tenho experiência política para perceber que a oposição está a acordar agora, mas estou cá para terminar este mandato e preparar-me para outro. Considero que tenho condições físicas e psíquicas para isso….

 

Imagem de Ana Jesus Ribeiro | CAPhoto Formação