A Fundação Mata do Bussaco assinalou oito anos de existência no passado dia 19 de maio. António Gravato gere os destinos desta entidade há quase. Ao «Bairrada Informação» falou dos projetos que se avizinham e das candidaturas que, segundo o dirigente, mudarão o “paradigma” da Mata do Bussaco.

 

Oito anos de Fundação Mata do Bussaco. Pela sua experiência, até como dirigente há quase três anos, que balanço faz da atividade desenvolvida?

Com o devido respeito e reconhecimento que imputo ao trabalho desenvolvido pelos meus antecessores,  evidencio, sobretudo nos dois últimos anos, uma renovada visão sobre o futuro do Bussaco, numa estratégia refletida internamente com uma equipa que tenho tido o privilégio de cordenar, e sobretudo com o apoio crucial e inestimável do presidente do Município, felizmente de uma enorme sensibilidade e exigência para as questões de índole ambiental e cultural e que nos tem proporcionado e inspirado a desenvolver um trabalho empenhado e com resultados já com alguma visibilidade.

Herdámos um património a necessitar urgentemente de investimento, numa situação de crise acentuada e temos procurado, com sentido de missão, recuperar gradualmente a credibilidade junto da sociedade civil, tendo vindo simultaneamente a conquistar a confiança necessária dos nossos parceiros, num processo dinâmico de envolvimento das pessoas, da cidade, das empresas e das instituições.

Recorde-se a este propósito, que o único mecenas tem sido a Administração Local – o Município da Mealhada. Inexplicavelmente, continuamos, ainda, sem o apoio da Administração Central!

 

No último ano, a atividade diária tem sido intensa, mas para além disso destacam-se as candidaturas realizadas que, a serem aprovadas, mudarão o destino do Bussaco, a nível mundial. Fale-nos um pouco sobre isso e em que ponto estão, neste momento?

Sem palavras vãs, temos vindo a desenvolver a nossa atividade, embora ainda muito condicionada à aprovação de algumas candidaturas a fundos comunitários, vinculado-nos ao compromisso e ao sentido pragmático de fazer bem com o fito no desenvolvimento do Bussaco, sem esquecer a necessária integração no território em que está inserido e, a esta distância temporal, não nos deve impedir de afirmar que muito trabalho tem já sido feito nestes dois últimos anos.

Tem sido determinante, na divulgação séria e atempada da atividade desenvolvida pela Fundação e pela Autarquia da Mealhada, a conceção de um plano de comunicação devidamente estruturado e desenvolvido de uma forma integrada, criando uma vaga consistente de informação, que tem contribuído de uma forma inequívoca para a afirmação do Bussaco e Mealhada na esfera regional e nacional e que nos tem ajudado a projectar a nossa imagem e a nossa marca aquém e além-fronteiras.

Aguardamos a todo o momento pela classificação do Bussaco a Monumento Nacional, recordando que desde 1996 tem tido a designação, tão somente, de Imóvel de Interesse Público e estamos a preparar uma candidatura a Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), contando já com o co-financiamento através de um projeto aprovado, no âmbito do EEC Buy Nature – Turismo Sustentável em Áreas Classificadas PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos). É esta a nossa grande prioridade e ambição, certos de que quando lá chegarmos, nada será como dantes! Haverá uma certa e inusitada mudança de paradigma.

 

E que outros projetos se avizinham?

Apresentaremos muito brevemente a público a implementação  da Grande Rota da Mata e Serra do BuSSaco, num percurso de cinquenta e dois quilómetros já elaborado. Trata-se de um projeto de características intermunicipais, envolvendo para além da Fundação, as autarquias da Mealhada, Penacova e Mortágua e que resultou de uma candidatura aprovada no âmbito do Projeto dos Corredores de Património Natural da Região de Coimbra e que, estamos certos, muito contribuirá para o aumento de visitação na Região na sua componente indiscutível de Turismo Natureza.

Relativamente ao Património Edificado, apraz-me registar que após o desenvolvimento de um processo de uma enorme complexidade, aproxima-se a fase final do procedimento concursal, no qual será escolhida a empresa que iniciará a recuperação e beneficiação do Convento de Santa Cruz e das Capelas da Via-Sacra, projecto co-financiado no âmbito dos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) do Programa Operacional do CENTRO 2020, Património Nacional, no qual o Município da Mealhada, através de protocolo firmado coma Fundação e com a Direção Regional de Cultura do Centro, assume o papel de dono da obra.

Cumpriram-se no recente dia 17 de maio, seis anos consecutivos de protocolo firmado entre a Fundação e o Ministério da Justiça – Direcção Geral de Reinserção Social, de Trabalho a Favor da Comunidade (TFC), envolvendo diariamente sete reclusos que se deslocam do Estabelecimento Prisional de Coimbra para o Bussaco, para cumprirem as suas tarefas de trabalho florestal na Mata.

Também no que respeita à sensibilização para as atividades ambientais, apraz-me registar que durante o ano de 2016 foram envolvidos cerca de seis mil alunos provenientes de escolas sobretudo locais, mas também oriundas de todo o país, constituindo e representando um tarefa muito aprazível e reconfortante e que tem proporcionado excelentes momentos.